O combate à corrupção deve começar localmente

Normalmente é afirmado que o nível local e regional são os níveis de poder mais passíveis à existência de corrupção.

Contudo, a proximidade dos eleitores, conjuntamente com um desenvolvido sentimento de cidadania participativa, pode permitir estes níveis de poder serem os menos corruptos de todos os níveis de poder. As últimas eleições europeias foram as mais participadas de todas e os cientistas políticos revelam que tal deve-se ao descontentamento dos cidadãos, embora avisam que os Estados-Membros onde a abstenção tende-se a agravar e nunca a diminuir, é sinónimo de maior preocupação, pois os cidadãos demonstram não acreditar ser possível eleger políticos sérios. O Secretário-Geral do Conselho da Europa, Thorbjørn Jagland, afirmou: “A corrupção tem consequências devastadoras para os direitos humanos, a democracia e o estado de direito. Em geral, nossos Estados membros fizeram progresso para implementar medidas para prevenir e combater a corrupção, mas muito mais precisa ser feito”. No relatório, o GRECO saúda que a Convenção Penal sobre Corrupção tenha sido amplamente ratificada, mas lamenta que 14 Estados membros - Andorra, Dinamarca, Alemanha, Islândia, Irlanda, Liechtenstein, Luxemburgo, Mônaco, Portugal, Rússia, São Marinho, Suíça, O Reino Unido e os EUA - ainda não terem ratificado a Convenção sobre a Corrupção Civil, apesar de sua importância para os setores público, privado e sem fins lucrativos. De fato, Portugal é um dos países mais mencionados, pela negativa, na 5ª avaliação do GRECO, sendo um dos Estados-Membros que menor número e recomendações terá seguido.Entre as várias recomendações, incluem-se Códigos de Conduta para detentores de cargos oficiais ou medidas contra a corrupção no financiamento de partidos e eleições políticas. Tendo em conta que Portugal foi um dos Estados-Membros onde a abstenção foi sempre uma das mais elevadas na generalidade das eleições, e que se tende a agravar, muitos chamam a atenção para o fato de os políticos deste Estado-Membro não respeitar os seus constituintes, e o não seguimento de grande parte destas recomendações é um claro sinal, e tal tem manifestação na abstenção. Há que recordar, por exemplo, Estados-Membros como a França, que promulgou uma lei a proibir detentores de cargos públicos de contratarem ou nomearem familiares, por exemplo. Para mais democracia, maior responsabilidade e penalidade pelas ações dos representantes eleitos dos cidadãos.Uma das principais conclusões de vários politólogos que acreditam ser, igualmente, uma medida para prevenir a ascensão de partidos radicais ou extremos. Tais esforços devem começar do nível local, passando pelo nível regional, nacional e culminar a nível europeu. Portugal, suas regiões e municípios têm uma longa caminhada a trilhar, mas a bem da democracia, da economia e do desenvolvimento em geral, é necessário começar.