Os meus arraiais

Estão na moda. Mas noutros tempos sobretudo na costa Norte da Madeira eram praticamente os únicos eventos que juntavam o povo e que aconteciam em diversas localidades ao longo do ano.

Nos meus tempos de juventude percorria quase todos os arraiais do concelho de Santana e arredores.

Ia às festas do Faial, a São Jorge e até às do Porto da Cruz. Eu e os meus amigos de então.

Na altura ninguém tinha carro próprio. Íamos à boleia e muitas das vezes a pé.

Desde que cheirasse a conjunto musical lá estávamos nós.

Na altura não havia “chotes” nem “DJs”.

A festa fazia-se com uma banda de música, um “bailhinho” e gente a deambular de um lado para outro. Claro que todo o mundo vinha à festa. Era aí que se encontrava gente que no dia-a-dia não se via. A malta nova aproveitava para namoriscar.

Depois começaram a surgir os conjuntos musicais que eram o grande atrativo sobretudo para os mais novos. Era aí que rapazes e raparigas travavam novos conhecimentos e até se arriscavam mais um pouco quando a música era mais propícia.

Nessa altura os Galáxia eram o top dos conjuntos musicais. O Vasco com a sua “Lúcia meu amor” não deixava ninguém indiferente.

Tal como hoje os arraiais também eram marcados pela espetada e pelo vinho seco. Vacas produzidas localmente e inclusivamente abatidas junto à barraca onde iam ser vendidas e consumidas.

O frango assado e o bolo do caco são coisas mais recentes. Os meus arraiais também eram marcados pelas rifas. Nas barracas que vendiam de tudo, também havia umas rifas a preços módicos que davam sempre prémio.

Nestas barracas também não dispensava uns rebuçados brancos e rosa de fabrico caseiro. Daqueles que colavam no céu-da-boca. Isso também era o obrigatório.

Outros tempos.

Arraiais que muitas das vezes também ficavam marcados por situações trágicas. Infelizmente alguns aproveitavam o momento para ajustes de contas. Recordo-me de zaragatas muito violentas, algumas a deixar sequelas para a vida dos atingidos.

Acima de tudo ficam as boas recordações. Vivências de outros tempos. Não deixa de ser curioso que os arraiais da Madeira embora com adaptações aos novos tempos voltaram a estar na moda.