Respeitinho!

1. Serviu o infame bónus de quase 2 milhões de euros atribuído pela TAP, como prémio pelo excelente desempenho negativo de 18 milhões, para cair de vez a teoria de que a República nada podia fazer, enquanto acionista Estado, face aos vergonhosos preços com que a companhia de bandeira massacra os Madeirenses. Afinal o executivo de Costa pede explicações à administração e revolta-se por não ser informado (!!!) e o Presidente da República lembra as obrigações públicas(!!) da companhia. Tudo sob o embaraçado silêncio do PS regional.

​2. Não deixa de ser surpreendente por isso, a notícia oficiosa de que o PS fará a sua rentrée política na Madeira, com a “milésima” visita de António Costa, desta feita a apelar ao “2 em 1”. Esta insistência conflitua com um sentimento já completamente generalizado, de que António Costa procurou nestes 4 anos, coincidentes com o mandato do executivo regional, castigar a Madeira para nos obrigar a eleger alguém que se assuma como sua extensão política nesta Região. Porque é que o PS de Cafôfo continua a apelar à vinda de Costa para fazer campanha por si quando tudo indica isso fá-lo perder votos? Como compreender que Cafôfo diga em entrevista, quando questionado sobre a ostracização a que o seu líder nacional tem votado a Madeira, que esta Região Autónoma tem de “se dar ao respeito”? Estará o candidato do PS a apelar ao “respeitinho” de má memória que o Dr. Salazar exigia no seu tempo? Mas afinal, nessa subjugação a que os socialistas regionais se entregaram, quem ajuda quem eleitoralmente? Costa a Cafôfo ou Cafôfo a Costa?

​3. Exemplo visível é o vídeo anedótico que Cafôfo gravou no dia seguinte à derrota nas Europeias. Se no dissessem que circulava um vídeo de campanha sem qualquer tipo de proposta programática, centrado na figura do candidato, e na sua suposta apetência para ajudar velhinhas a subir para o autocarro, para cumprimentar todas as pessoas sentadas nas paragens de autocarro, ou em parar nas passadeiras cedendo passagem a presidentes de junta sem grande queda para a representação, associaríamos imediatamente à propaganda de um Salvini de Itália, de um Maduro da Venezuela, ou a outro qualquer populista, de direita ou de esquerda, de um país com deficientes alicerces de maturidade democrática. Porque se submete Cafôfo a este papelinho impingido por agências de comunicação manietadas a partir de Lisboa? Desespero? Submissão? Mas mais grave é o filme do ano passado onde o então edil e um grupo de fiéis teciam rasgados elogios ao Orçamento de Estado (??!!), fenómeno inédito na Região, assegurando que esse documento traria as “ferramentas para resolver os problemas dos madeirenses”. Além da inaceitável demonstração de vassalagem, os madeirenses continuam a aguardar pela resolução dos problemas que o OE iria favorecer.

​4. Depois do espalhanço ao comprido em que se saldou o elencar de medidas sobre a saúde, o tema que o PS vai cavalgar até às regionais, pensou-se que tal se devesse a um deslize de um Cafôfo ainda abalado pelos resultados eleitorais pela sua saída da Câmara. Mas eis que em artigo de opinião de ontem, o seu candidato a Secretário da Saúde, reitera as peregrinas intenções de compra de um hospital privado porque “não é possível esperar sentado 7 anos” pelo novo Hospital. Não deixa de ser divertido ver um clínico que optou por exercer exclusivamente no privado, legitimamente diga-se, a defender o dispêndio de milhões para a passagem de uma unidade hospitalar do privado para o público. Mas António Pedro Freitas cautelosamente não se pronunciou acerca da alternativa de construir de raiz um hospital intermédio, complementar ao futuro Hospital Central. É que o recém inaugurado hospital particular demorou 4 anos a inaugurar desde o seu anúncio em 2015. E o novo Hospital, se não existirem mais entraves de Lisboa, tem prevista abertura em 2024. Estariam operacionais na mesma altura. Uma trapalhada.