Mercado Municipal - do orgulho do nome à honra do apelido!

Em torno da discussão da “coisa pública” cremos que o esgrimir de argumentos, raras vezes terá tocado no tema - Mercados Municipais. Queremos, no entanto, deixar esta breve reflexão, em boa parte, motivada por aquilo que têm sido os tópicos da abordagem, ainda que, marcada por alguma... timidez, gerada pelo claro desinteresse que a “coisa” tem merecido por parte da administração (mais na central do que na local, o que até se pode perceber mas dificilmente se poderá compreender).

Sendo, os ditos, municipais, no sentido em que são propriedade dos municípios, tal parece constituir-se como algo de “obstaculizante” para um “querer-fazer” escudado, tantas vezes, num “não poder-fazer”.

Temos dúvidas que tal raciocínio possa ser límpido, afigurando-se algo toldado pela escusa estafada, porque gasta, de que o público coarta a iniciativa privada e de que as dinâmicas de uns esbarram na apatia de outros.

Haverá um quê de verdade que importa não menosprezar, mas tratando-se de um campo de trabalho composto por algumas centenas de “unidades” (próximo de 500 Mercados Municipais, assimetricamente, distribuídos pelo território do nosso país) parece evidente que o assunto será merecedor de alguma... atenção!

Em suma, se ambos, público e privado, tiverem a possibilidade de olhar para os Mercados e vê-los (entendendo-os no seu contexto e esboçando a respetiva situação de referência), decerto irão reparar para além daquilo que tem sido uma visão limitada, limitativa e limitadora do seu potencial.

O ponto de partida será tentar percecionar o que representa o Mercado Municipal, localmente, aos mais distintos níveis - comercial, económico, sociocultural, histórico, patrimonial, aferindo-se se as “qualidades” e “capacidades” detidas o permitem “trabalhar” como equipamento municipal, como formato comercial ou outro (ou nenhum) “uso”.

Isto, necessária e desejavelmente, antes de se enveredar por modas, tendências ou conceitos que, por resultarem num ou outro contexto, não significa aposta ganha em todo e qualquer um. Conceitos pré-definidos para os Mercados Municipais não são mais do que (pre)conceitos em relação a um estudo sério casuístico que possa enformar um plano de ação específico para este ou aquele Mercado.

Alheia a todo este entendimento prévio está uma tendência, quiçá um conceito, a que dei o nome de “restaurantización” (apenas porque o artigo foi publicado na revista - Distribución y Consumo (da MERCASA), da nossa vizinha Espanha, País, aliás, com quem teremos muito a aprender sobre dinamização de Mercados Municipais). Transformar Mercados ou parte deles em “placas” de Restauração pode ser o emergir de um novo mercado para os… Mercados Municipais, mas, diga-se, em bom rigor, é curto, muito curto, para quem goste e queira “pensar o Comércio”, e um dos seus formatos mais representativos, num contexto de estudo/investigação que se poderia apelidar de… Sociologia do Comércio!

Por muito que se queira fazer pelos Mercados em Portugal, uma certeza parece afirmar-se: de ideias para lhes mudar o nome ou deixar ideais que visem outro(s) apelido(s), ao que parece, ainda não se vislumbra oferta, nem tão pouco... procura que se veja!