Era uma vez uma aldrabice

Por estes dias ficamos a saber que a TAP, empresa com metade do capital pertencente ao Estado, pagou mais de um milhão cento e setenta mil euros como prémio, a 180 dos seus colaboradores.

Esse bónus surge em resultado do desempenho anual da companhia portuguesa, que foi de nem mais nem menos do que 118 Milhões de euros de prejuízo!

Aquela empresa muito importante para o governo do PS, que tinha de continuar na mão do Estado porque tinha um desígnio nacional, de servir as comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo e as ligações às Regiões Autónomas, está a mostrar a sua verdadeira face. E o Governo também!

Com esta descoberta do pagamento dos “merecidos” bónus, que António Costa veio prontamente dizer que eram desconhecidos do governo, ficaram claras várias coisas:

– que o governo não manda nada na companhia, embora tenha tentado convencer toda a gente de como era fundamental reverter a privatização, em nome de um suposto interesse nacional que alegou ser urgente defender;

– que quem dirige a TAP não tem vergonha na cara, ao distribuir prémios após um prejuízo como o que foi registado;

– que os madeirenses têm mesmo de pagar bilhetes a preços escandalosamente caros, pois isso faz parte da estratégia de financiamento encapotado que o PS pretende para a companhia;

– que para António Costa é muito mais importante esta artimanha de financiamento da companhia aérea, que lhe permite injetar 55 milhões de euros na TAP, do que acautelar os verdadeiros interesses dos cidadãos portugueses que vivem na Madeira e no Porto Santo.

O presidente da empresa, sempre ele, depois das suas afirmações sobre os preços praticados para a ligação Madeira-Lisboa, os quais classificou de módicos, agora ainda foi mais longe na sua demonstração de prepotência.

Quando instado a comentar os prémios pagos a alguns dos funcionários, disse nem mais nem menos do que isto: os pagamentos feitos estão perfeitamente de acordo com o que está assinado e até poderiam ter sido muito maiores!

Mais do que a demonstração da falta do mais elementar bom senso, este presidente da TAP demonstrou o seu profundo desprezo pelos cidadãos deste país e desrespeito pela sua inteligência.

Está visto que um dos dois mente.

Se Antonoaldo tiver razão, então António Costa escondeu um acordo escandaloso a todos os títulos.

Se o primeiro-ministro fala verdade, então Antonoaldo e a equipa administrativa não têm vergonha na cara.