Licença sem vencimento

Estou metido num sarilho. Não sei se meta baixa. Se peça licença sem vencimento. Se me demita e me dedique a um partido por inteiro... É que aquilo deve ser mesmo bom! Só pode. Pelo menos a ver pela quantidade de gente que se dedica a isso. Chega até a haver deles que, deixando de se rever nos “valores”, saem da direita e metem-se na esquerda! Como no trânsito. Sem fazer pisca nem nada. Vale tudo!

A fazer-se valer está já o novo presidente da câmara. Baralhou e voltou a dar. Surpreendeu com a escolha do novo vereador. Aproveito já para fazer uma declaração de interesses, informando que nada tenho contra o Ruben. Antes pelo contrário. Não fosse ele do União como eu. Coitado. Ao menos tem uma coisa de bom. É quadro da empresa de eletricidade da Madeira. Que traga mais energia pois bem precisamos.

No entanto e devido à minha insistência em ver sempre o copo meio cheio, no meio disto tudo eu ainda encontro motivos para estar feliz e orgulhoso. Posso dizer que vivo numa cidade em que vejo mudar de presidente da câmara sem que o anterior esteja a ser investigado e o seu sucessor seja arguido. É obra. Bem hajam. Continuem a fazer-nos acreditar que ainda há gente honesta e trabalhadora na nossa nobre e leal cidade do Funchal.

Porta fora está já o professor Paulo Alexandre Nascimento Cafôfo. Por vontade própria, é bom que se diga. Respeitinho é bom e eu gosto. Não foi posto na rua. Antes pelo contrário. Tinha sido eleito ainda em 2017 e com maioria absoluta. Bem sei que se ausentou antes do previsto, mas tanto os resultados das eleições europeias (onde o “seu?” partido só ganhou em 2 concelhos), como a gigantesca abstenção fizeram acelerar o passo em direção à saída da sede do município. É tempo, no seu entender, “de mobilizar para um novo ciclo de desenvolvimento da região”. E não foi de modas. Como a promessa da operacionalidade do ferry durante todo o ano já não era uma novidade, perdeu a cabeça e prometeu a compra de um novo hospital e a contratação de 100 novos médicos. Tudo para reduzir ou até eliminar as famosas listas de espera.

Senhor professor, já que estamos numa época em que se pode pedir tudo que raramente se ouve um “não”, por favor prometa-me uma coisa que eu lhe garanto o meu voto... Acabe com quase tudo. Promova operações stop para cobrar dívidas ao fisco. Continue sem se insurgir que a TAP se dê ao luxo de pagar prémios chorudos muito à custa das tarifas modicamente astronómicas cobradas na rota do melhor destino insular da Europa com o continente. Sugira até que o presidente da república aproveite a embalagem das condecorações e agracie o Antonoaldo. Só não acabe com as dores de dentes. Por amor de Deus.