Ir para Fora, Estudando Cá Dentro!

Mais um ano letivo está a chegar ao fim! 
Para muitos jovens que frequentam o ensino secundário é altura de decidir (ou de começar a pensar) que rumo irão dar às suas vidas – se vão optar por um curso Técnico Superior ou por uma licenciatura; qual a universidade que irão escolher se decidirem continuar a estudar. E neste momento de muitas dúvidas, para grande parte dos jovens, que têm que tomar decisões importantes para as suas vidas, há sempre os ‘especialistas’ no assunto que assumem que podem ajudar os jovens a decidir. A primeira ‘sentença’ é normalmente ‘Tens que ir para fora, para ganhares mundo.’ A minha primeira questão a este respeito é se esta afirmação é também colocada a um jovem de Lisboa que decida estudar em Lisboa, que decida fazer a sua licenciatura estando no conforto do lar, rodeado do carinho e afeto da família. A minha segunda questão é se não seria importante ouvir o jovem (em vez de decidir por ele), perceber quais as dúvidas que o assolam, quais os medos com que se depara e ajudá-lo a tomar a decisão mais acertada.

É possível estudar na Universidade da Madeira e ‘ganhar mundo’, pois oferecemos aos nossos alunos a possibilidade de estudando na nossa Universidade fazer um ou dois semestres numa congénere europeia para estudos ou estágios. A UMa, ano após ano, tem vindo a aumentar a sua oferta de bolsas para mobilidade (Erasmus ou Santander) precisamente por acreditarmos que é importante, para a formação de qualquer jovem, ter contacto com outras culturas, outras formas de ver a educação, a investigação, a vida.

​Num tempo em que as licenciaturas são de três anos e em que, para muitos jovens, já não são o final dos estudos; num tempo em que as licenciaturas numa determinada área não ‘obrigam’ a um mestrado na mesma área de estudos; num tempo em que aos jovens se pede que desenvolvam caraterísticas empreendedoras, que sejam criativos, que façam voluntariado e que sejam bons cientificamente, porquê o estigma de que ir para fora é melhor do que estudar cá dentro, se na UMa também oferecemos todas estas possibilidades, em turmas pequenas, e em que a relação professor-aluno ainda é valorizada? Num mundo cada vez mais tecnológico, apenas podemos fazer a diferença na vida do outro com a nossa atitude como seres humanos.

O que fará o sucesso de cada jovem não é a Universidade onde vai se graduar, mas sim as suas caraterísticas individuais, desenvolvidas socialmente, como sejam a pro-atividade, a resiliência, o ser capaz de trabalhar com outros, de ouvir os outros, de comunicar claramente as suas ideias, de ser criativo, de ser crítico, de pensar ‘fora da caixa’. Cada uma delas deverá ser trabalhada muito antes da chegada à Universidade; na família em primeiro lugar e ao longo de todo o seu percurso escolar, incluindo na universidade.