As explicações à Joe

Poucos são os portugueses que não assistiram, até porque alguns excertos rapidamente tornaram-se virais, às explicações de Joe Berardo sobre a dívida de mil milhões à banca, mais coisa menos coisa, que “pessoalmente” o (ainda) Comendador diz não ter.

O inquérito parlamentar do madeirense, no seu jeito peculiar, deixou alguns desconcertados, evidenciando esperadas dificuldades para dissipar as dúvidas que assolam todos os contribuintes. Valeu-lhe, ao contrário de outras super figuras que com melhor oratória dominavam auditórios, não ter recorrido à máxima de que não se lembrava de quem lhe emprestou os milhões. Mas, como em demasiadas outras, o dinheiro foi-se à mesma…

Convém perceber que Berardo não representa um caso isolado. Há mais explicações que custam a entender…

Vejamos o caso da TAP, que pagou prémios de 1,17 milhões de euros num ano em que atingiu um prejuízo de 118 milhões. E a companhia aérea fê-lo sem dar cavaco a ninguém, nem ao acionista Estado, como rapidamente quis propagandear António Costa.

Para o primeiro-ministro não está certo dar bónus porque o saldo foi negativo. Óbvio. Mas já estaria tudo bem se as contas fossem positivas independentemente de uma boa fatia ser arrecadada à custa de viagens inflacionadas para um território que também deveria merecer o zelo do Estado, como é a Madeira. Parece, pois, não interessar como nem à custa de quem se faz o negócio, interessa é dar lucro, pois claro.

Pouco clara também foi a comunicação do agora candidato a tempo inteiro Paulo Cafôfo sobre o que vaticina para a Saúde. A ‘desconstrução’ do que afirmou em entrevista à RTP-M e o que a sua equipa deixou transparecer nas explicações posteriores deixam margem para dúvidas e extrapolações. A única certeza é o compromisso de esclarecer a 22 de junho. Até lá, os 75 milhões permanecem na ordem do dia. Enfim, até para esclarecer há data marcada. Mas já diziam os antigos: não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.

Mais objetiva foi a resposta da APRAM ao JM sobre a aposta no mercado de iates, segmento que assume estar a ser trabalhado com as condições existentes. Não interessa para nada o facto de não haverem estudos batimétricos que permitam que os iates possam escalar outros pequenos portos espalhados ao longo da ilha. Há três em condições e há fundeadouros, avisa a APRAM. O resto que se amanhe.

Só não se percebe porque razão investe o Governo tantos milhões e depois não tira o máximo partido das infraestruturas construídas. Mas também isso foi bem explicado: os pequenos cais têm funções de portos de abrigo para os pescadores, foi para isso que foram criados. Nada evolui, portanto, com esta ordem de pensamento.