O desmazelo eleitoral - Europeias 2019

Concordo que votar é indubitavelmente um dever cívico.

No penúltimo fim de semana, os cidadãos europeus residentes fora da Europa puderam exercer o seu direito de voto, o que acontece pela terceira vez. Na comunidade portuguesa muitos poucos votaram. Muitos, muitos mesmo, ou seja, a maioria dos recenceados não votou, a avaliar pelo índice de abstenção constatado em grande parte promovido pelas autoridades diplomáticas e consulares portuguesas aqui, na África do Sul, em comissão de serviço e certamente com anuência da Comissão Nacional de Eleições, algo absolutamente deplorável. É necessário explicar uma das muitas razões por que não compareceram às urnas, sendo uma das quais “não haver urnas para depositar o voto...”. Porquê? Por exemplo, a área de jurisdição do Consulado-Geral de Portugal em Joanesburgo corresponde a cinco vezes e meia à superfície de Portugal Continental incluindo regiões autónomas. Como é possível numa superfície tão grande haver apenas uma assembleia de voto? Por exemplo, perguntei a várias pessoas residentes em Bloemfontein se pensavam em deslocar-se a Joanesburgo para votar e a resposta foi um categórico, NÃO! Deslocar-se a Joanesburgo implica percorrer a distância de 398 km e conjugado com o retornar soma 796 km. Pesa também o facto de terem de encerrar os seus negócios por um tempo demasiado longo, o que constitui outro obstáculo, pois no mínimo, viajando a 120 km/hora, são necessárias, no mínimo, 6 horas e 38 minutos.

Mau grado o “planeamento” ineficiente, desleixado, abominável, pois ter planeado para a África do Sul apenas quatro assembleias de voto, que funcionaram nas instalações consulares portuguesas de Pretória, Joanesburgo, Durban e Cidade do Cabo. Digno de dó a flagrante não existência de descentralização das assembleia de voto. Incrível. Foi nula, absolutamente nula e isto merece uma investigação ao nível oficial e informação à Comissão Europeia para averiguar ou mandar averiguar o desprezo a que os portugueses da África do Sul foram votados. Uma autêntica patologia eleitoral que não se deverá repetir, que se fica a dever à ligeireza com que os briosos “planeadores” da Comissão Nacional de Eleições e seus acólitos “olham” para a comunidade portuguesa da África do Sul.

Senhores deputados ao Parlamento Europeu, tomem nota: Os portugueses da África do Sul são tão portugueses como os que vivem em Portugal. Acreditem. Não servem meramente para serem convocados a fóruns e conferências sobre investimentos...

Com repúdio.