História da Carochinha

Nos passados dias, tenho-me lembrado frequentemente de um conto que ouvia na escola. Não se trata de nenhum conto de fadas, daqueles que terminam “viveram felizes para sempre”. Bem pelo contrário. Este até tem um desfecho algo macabro e uma forte mensagem subliminar sobre o perigo das aparências e das promessas que se esfumaçam.

Diz o conto infantil que a Carochinha encontrou cinco reis enquanto varria a cozinha. Com esse dinheiro, foi comprar uns brincos e decidiu procurar marido para casar. Muitos pretendentes a cortejaram, a “linda e engraçadinha” Carochinha. Depois de recusar uma série deles, passa na sua janela o João Ratão que a conquistou com os seus gostos finos, voz suave e ar burguês.

Se fosse um típico conto de fadas acabava aí: Carochinha e João Ratão, felizes para sempre. Mas não, este é mais retorcido. No dia da boda, descobre-se que afinal o João Ratão tem mais uma caraterística: é guloso. Tentado pelo cheiro do toucinho, destapa uma panela, escorrega e cai dentro da panela. É o fim do João Ratão. E a Carochinha, em lágrimas, lá tem que se conformar com a perda do seu noivo.

Se a Carochinha tivesse sabido da verdadeira natureza do João Ratão, talvez não o teria deixado ir sozinho ao fogão. Ou então, talvez teria mesmo escolhido um outro pretendente mais humilde e menos guloso. Para a Carochinha não há volta a dar.

Mas nós não somos a Carochinha. Na primeira oportunidade de apresentar as suas medidas para a saúde e os transportes na Madeira, o candidato Paulo Cafôfo tenta seduzir os madeirenses com ouro falso. Promete uma lista de compras que faria inveja a qualquer príncipe saudita.

Mas com cinco reis não se compram nem hospitais privados nem ferries a todo o ano. Esses cinco reis que a Carochinha socialista “encontrou” enquanto varria a cozinha, não são fruto nem de prospeção de petróleo no nosso mar, nem de diamantes nas nossas serras. Vêm de onde, então?

Os cinco reis são as verbas que o centralismo socialista quer “poupar” a Lisboa, convenientemente esquecendo que ao duplicar despesas na saúde já se comprometeu com 50% do futuro hospital da Madeira. O mesmo governo socialista que empurra com a barriga a sua responsabilidade financeira no cumprimento da continuidade territorial através do ferry. Ou seja, a Carochinha quer desequilibrar as contas regionais para agradar aos seus chefes em Lisboa.

Este é uma nova cativação de Centeno, desta feita, direcionado unicamente para os madeirenses com o consentimento do PS-M. Não há almoços grátis, e a conta da campanha do PS-M não é paga pelo PS-M, mas sim através destas “engenharias financeiras” matreiras que poupariam ao Estado de bancar com aquilo que já prometeu e não cumpre com a Madeira.

Este João Ratão tentou iludir que bastará a sua “voz suave” para defender a autonomia e os direitos dos madeirenses. Já vimos no passado que os “murros na mesa” que Paulo Cafôfo tentou dar, rapidamente se esfumaçaram em meras carícias e cafuné socialista.

À primeira oportunidade, a tentação do toucinho falou mais alto que a promessa à Carochinha. E é aqui que a realidade não só imita, mas mesmo supera a ficção. Do livro de contos diretamente para a realidade socialista regional.

Sugestão da Semana: Abre hoje na Câmara Municipal de São Vicente a Exposição “Revoltas e Motins na História da Madeira e Porto Santo”, integrada nas comemorações dos 600 Anos. A História não engana e ajuda a perceber o ADN madeirense, mesmo quando outros teimam em estratégias de submissão centralista.