O Segredo verdadeiro

A Vida comporta tanto de belo como de misterioso, reside nesse mistério uma das forças motrizes para a realização do percurso.

Somos seres curiosos por natureza, seres de descoberta, procuramos resposta para tudo, queremos encontrar novos mundos, mesmo dentro de nós, podemos afirmar com certo grau de certeza que a vida é realizável na condição de ciência da curiosidade, isto porque as descobertas que fazemos acontecem na sua grande maioria pela nosso espirito de curiosidade e pelo fascínio do mistério, não inventamos nada, a nossa busca incessante de respostas alimentada pela curiosidade imensa, abre apenas portas de conhecimento, tudo o que concretizamos já la estava à espera de ser revelado, era secreto, era um Segredo, até nos ser revelado. É o fascínio pela descoberta diária, pela criação de futuro em pretensão, que a vida faz sentido, tal como a concretização de um futuro que não idealizamos, não é mais que um segredo bem guardado que nos surge repentinamente (se idealizássemos mentalmente um futuro que não nos era favorável ou que não nos revíssemos, provavelmente deixaríamos de lutar pela vida, seria um ”Es Muss Sein-tem de ser” contínuo desprovido de cor e sabor, um quase sacrifício continuo, ou então deixaria de fazer sentido-“tout court”), nesta linha de pensamento sempre contestei o adágio popular de “ter medo de quem não tem nada a perder”, eu sempre considerei que tenho mais medo de quem não tem nada a ganhar, pois aquele que acha que nada tem a perder tem tudo para ganhar pelo que o seu “status quo” altera rapidamente e é facilmente aliciado pela vida, agora como aliciar aquele que na vitória da vida concretizou a sua derrota, fundiu o seu percurso a um momento, um objectivo de plenitude atingível e concretizado?

Um dos segredos mais bem guardados é a morte, pois como Gustave Flaubert superiormente o revela – “Talvez a Morte tenha mais segredos por revelar que a Vida”, será o segredo por excelência, por comportar em si uma imensidão de segredos que obviamente não calculamos. O que é isto então do Segredo, será meramente algo que não deverá ser conhecido por outrem, ou até uma coisa revelada a um segundo mas não a um terceiro, terei de concordar por serem definições constantes de dicionários, mas numa época de informação de globalidade de exposição total, o conceito de segredo, o verdadeiro, deverá ser destrinçada daquilo que é mera informação à espera de ser veiculada e disseminada, que por vezes não passa de um ardil, utilizando o segredo como catapulta por forma a gerar interesse (como mencionei a curiosidade é uma característica inerente ao ser humano e que tanto é utilizada como força motriz da Vida, como utilizada para o mal e como bengala da mediocridade, da maldade e da boçalidade da existência) para tornar a sua divulgação mais eficiente, concretizemos no exemplo corriqueiro de quem diz – eu sei um segredo, ou tenho um segredo- nada mais esta a fazer do que aguçar o espirito de curiosidade facilitando a sua divulgação, prendendo e fidelizando atenção e com isso ganhando uma vantagem teórica, e algum poder sobre o ouvinte, como diz Khalil Gibran “Se revelares os teus segredos ao vento, não o culpes por os revelar às árvores”, isto é apenas informação à espera de transmissão e não segredo. O segredo verdadeiro é apenas aquele que nós não sabemos que existe, os que detemos são apenas nossos e se os confiamos a outrem são apenas pertença de ambos e morrem connosco (os segredos não tem forçosamente de ser revelados) logo não existem no universo dos outros, a partir do momento da suspeita da existência de um segredo, deu-se início ao processo da sua revelação.

O Verdadeiro Segredo existe, quando para o restante Universo não existe Segredo.