As estatísticas que os políticos evitam

De acordo com a Federal Reserve Bank of St. Louis (um dos 12 Federal Reserve Banks que compõe a Reserva Federal dos Estados Unidos da América), desde o ano 2000 que mais de 4 milhões de empregos industriais foram automatizados/robotizados só nos EUA.

Ao mesmo tempo que se assiste a uma crescente automatização do setor industrial nos EUA, o US Bureau of Labor Statistics, regista uma das taxas de participação na vida activa mais baixa (62,9%) desde os finais da década de 1970. Verifica-se ainda uma tendência desta taxa se aproximar para valores semelhantes aos verificados pouco antes das mulheres terem entrado em força no mercado de trabalho após a II Guerra Mundial.

A acompanhar as estatísticas da crescente automatização inteligente, começada em 2000, verifica-se, de acordo com o US Bureau of Labor Statistics e a Social Security Administration, uma acentuada quebra do rácio entre do número de trabalhadores e o total da população ativa (de 65% em 2000 para 59% em 2015) e o aumento de dois pontos percentuais, na mesma década, no rácio entre o número de inválidos e a população ativa.

De igual forma e no mesmo período, o número de suicídios por 100.000, relacionados com o abuso de álcool e drogas, na população com idades compreendidas entre os 50 e os 54, duplicou, passando de cerca de 40, em 2000, para 80 em 2014.

As potenciais consequências da automatização não terminam aqui, em 2016 a Casa Branca admitia, que nos EUA 83% dos trabalhadores que auferissem menos de 20 dólares por hora assistiriam à automatização do seu posto de trabalho. Já o US Census Bureau, em parceria com o US Bureau of Labor Statistics e o Bain Marco Trends Group prevêem que a partir de 2020 sejam perdidos anualmente a favor da automatização cerca 2,5 milhões de postos de trabalho, o mesmo é dizer que entre 20% a 25% dos americanos perderão os seus postos de trabalho num espaço de 10 a 20 anos. Desses anuais 2,5 milhões de desempregados, apenas 0,7 milhões conseguirão reingressar no mercado de trabalho.

Vários economistas americanos alertam que num prazo de 3 a 5 anos a automatização verificada no setor industrial chegará rapidamente aos call centers, retalho (veja-se o exemplo das caixas automáticas nos supermercados e fast food) e transportes (veja-se o exemplo dos carros e camiões sem condutores desenvolvidos pela Mercedes, Volvo, e a start up TuSimple que já arrecadou financiamento de 95 milhões de dólares e está valorizada em 1 bilião de dólares).

Num futuro cada vez mais automatizado, os políticos Europeus, Portugueses, Madeirenses e Açorianos andam muito calados. Não querem discutir o impacto da maior revolução tecnológica da Humanidade, a Inteligência Artificial, nem da cada vez mais urgente necessidade de implementação do Rendimento Básico Incondicional, corretamente denominado, por Andrew Yang, candidato democrata às presidenciais americanas de 2020, por Dividendo da Liberdade.