Psicoterapia

Ao longo da nossa vida defrontamo-nos frequentemente com situações ou períodos de dificuldades em que recorrer a um profissional na área da saúde mental pode ser útil. Porque os problemas podem sempre surgir, é importante estarmos conscientes de quando é necessária intervenção profissional, por exemplo, quando sentimos que algo não está bem ou que não estamos capazes de responder às coisas do dia-a-dia. Além disso, podemos sempre pensar na magnitude desse problema: É intenso? É frequente? Dura há muito tempo? São questões de nos ajudam a compreender melhor o problema e nos podem indicar a necessidade de procurar um profissional.

Mas no que se refere à mudança do comportamento, às perturbações psicológicas e aos processos de desenvolvimento pessoal e construção da identidade, devemo-nos assegurar que procuramos os profissionais certos, isto é, aqueles que efetivamente estão habilitados para lidar com estas questões. Porque uma pessoa gostar de mergulho e de atividades no mar não a torna biólogo/a marinho, ou porque uma pessoa ter interesse no mundo da aviação não a torna piloto ou controlador aéreo, também por as perturbações psicológicas gerarem interesse de muitos agentes e profissionais de diferentes áreas, isso não significa que todos estejam habilitados para fazerem determinadas intervenções, em que se inclui a psicoterapia.

A psicoterapia é um processo colaborativo entre psicólogo/a e cliente que permite a que cada pessoa possa lidar melhor com os desafios da sua vida e lidar com as dificuldades, que é baseado em técnicas e que decorre de diversas abordagens teóricas e empíricas. Não é uma conversa que qualquer profissional, mesmo que trabalhe na área da saúde, pode ter com um utente, nem muito menos é um momento para conselhos ou opiniões; é sim um processo organizado, com técnicas descritas e que exige uma qualificação. É justamente por este motivo - a qualificação técnica e profissional - que faz com que sejam os/as psicólogos/as os profissionais habilitados para a avaliação e a intervenção psicológica, em que se incluem os processos psicoterapêuticos. Um psicólogo tem a preparação de 5 anos de formação base em psicologia (o que envolve múltiplas dimensões relacionadas com o estudo do comportamento humano), atualmente realiza um ano de prática profissional supervisionada para ser membro efetivo da Ordem dos Psicólogos e continua a realizar formação complementar e contínua nas diversas dimensões que caracterizam o comportamento humano e a mudança comportamental, na normalidade e na psicopatologia. A psicoterapia é inclusivamente uma especialidade avançada da Ordem dos Psicólogos. Em suma, para ser psicoterapeuta, é necessária certificação e muitos anos de preparação naquela área específica. E da mesma maneira que nenhum de nós quer ir a um profissional “assim assim” ou que conheça pouco do assunto, também em relação à psicoterapia, ninguém quer ir a um profissional sem a devida preparação técnica e científica.

​A existência de fronteiras profissionais e a definição de quadros de qualificação profissional é uma conquista civilizacional significativa e permite que as instituições prestem serviços com qualidade à comunidade. Pelo contrário, intervenções dinamizadas por agentes sem qualificação profissional adequada, para além de não serem o que dizem ser, são muito problemáticas para a saúde dos clientes, cujas situações de vulnerabilidade psicológica ou de dificuldade poderão ser agravadas.

Para que se defenda a saúde pública e se garanta eficácia e eficiência nas intervenções, cabe às instituições e à tutela assegurar a qualidade dos serviços prestados à comunidade, mas também cabe a cada um de nós, cidadãos, procurar e exigir os profissionais adequados para realizar processos psicoterapêuticos. A psicoterapia é realizada com qualidade por psicólogos; se não for psicólogo, não é certamente psicoterapia o que está a ser feito.