Qual foi a parte que não percebi?

1. Todos os meses surgem notícias que dão conta do muito baixo nível de investimento público feito pelo Governo de Portugal.

Tem sido evidente tal ausência de investimento, com os colapsos sucessivos de diversas infraestruturas de apoio na saúde, com os noticiados atendimentos de crianças em contentores, de entre outras “singularidades” do género.

Foi também notícia a perda do motor, por parte de uma automotora em andamento, ao serviço da empresa pública de transporte ferroviário, em fevereiro deste ano.

Essa mesma empresa pública, que já tinha tido problemas de simples cumprimento dos transportes mínimos, uma vez que há falta sistemática de investimento nas manutenções da CP (Comboios de Portugal) teve de recorrer ao aluguer, em Espanha, de automotoras e outros equipamentos circulantes, só para manter em funcionamento o elementar.

Por esses alugueres – de equipamentos já velhos - o país paga 7 milhões de euros por ano.

Depois de mais umas trapalhadas, a CP recebeu luz verde do governo socialista para mais um aluguer de equipamento, que custará mais 4,6 milhões de euros.

Estes dois exemplos são pequeninas partes de um grande puzzle, que é todo o país e a sua realidade de nação confrontada com uma incapacidade gritante. A incapacidade de sequer fazer os investimentos necessários, para substituir e manter em funcionamento os equipamentos que tem hoje ao serviço dos cidadãos.

É o retrato de um país em declínio e sem capacidade para melhorar a sua produtividade.

2. No entanto diversas avaliações do Tribunal de Contas permitem tirar as seguintes conclusões:

- no final de 2017 o Estado continuava a ter 19,4 mil milhões de euros em dívidas por cobrar, volume que equivale a 45% de todos os impostos cobrados no ano;

- os apoios aos bancos em Portugal já custaram 16.751 milhões de euros desde que essas entidades tiveram de ser apoiadas, resgatadas ou nacionalizadas, a partir de 2008. (Só o Governo de José Sócrates, que nacionalizou o BPN em 2008, já custou 4.095 milhões de euros, mas poderá ir até 5.811 milhões);

- nos anos de 2016 e 2017, os primeiros da legislatura de António Costa, o valor em impostos definitivamente perdido por causa de prescrições ascende a 1.600 milhões de euros.

3. Compreendo agora porque motivo a República abre uma ligação de serviço público entre a Madeira e o Porto Santo com bilhetes a 120 euros; porque motivo a República não pode pagar 12 milhões de euros por ano para existir uma ligação ferry todo o ano; porque motivo não está em funcionamento o modelo proposto pela Madeira, para que sejam pagos apenas os 86 euros na ligação aérea Madeira – Continente.

Seria uma excentricidade incomportável. Não têm dinheiro!