Simplesmente, natureza

É com enorme satisfação que verifico que os senhores da República acordaram para as Berlengas. A partir de não se sabe bem quando, as visitas diárias àquele arquipélago passarão a estar restringidas a 500 pessoas.

Devagarinho, bem devagarinho, se tivermos muita paciência, os senhores da República até chegam lá…

Vá lá que a natureza é menos barulhenta que as classes profissionais dos professores e dos enfermeiros, e não faz greves nem manifestações… Mas também quando se passa, leva tudo à frente, ou não fosse já sido dado o alerta que devido às alterações climáticas, Portugal passou a estar na rota dos furações, estando o município de Almada na linha da frente.

Talvez por se ter descoberto há muito que o produto que vende aqui na região é a natureza, talvez por se ter apostado em quadros técnicos que para além de absorverem e debitarem matéria, foram e são verdadeiros apaixonados pela nossa singularidade natural, aqui na Região, desde há muito se trabalhou na proteção do nosso património.

Assim, aproveitando a notícia da intenção de preservação das Berlengas porque não referir as nossas ilhas mais agrestes?

As ilhas Desertas, situadas a cerca de 20 km a Sueste da Ponta de São Lourenço, possuem uma Reserva Natural, há cerca de 26 anos, onde apenas é permitido o acesso à área com estatuto de proteção total a indivíduos devidamente autorizados e credenciados pelo Instituto das Florestas e Conservação da Natureza.

As visitas turísticas estão restritas à Deserta Grande, onde é possível receber informação e visitar o centro de recuperação do Lobo Marinho que aliás, tem sido um caso de sucesso graças ao esforço de conservação e recuperação, mas sobretudo à dedicação de todos os técnicos que diariamente ali trabalham.

Mas não nos podemos esquecer das Selvagens, o território português mais a Sul, a 250 longos km da Madeira, e que são um santuário de aves. Este arquipélago é tão-somente a primeira área protegida da Região Autónoma da Madeira e uma das primeiras a ser classificada como Reserva a nível nacional, em 1971. Sobre este arquipélago, disse Jacques-Yves Cousteau, que possuía as águas mais límpidas que conhecia.

As Selvagens são, também, a única Reserva portuguesa galardoada com o Diploma Europeu do Conselho da Europa.

Alguma coisa devemos andar a fazer bem…

Contudo, porque dificilmente há bela sem senão, e também porque sou uma crente fervorosa que há sempre espaço para melhorar, considero que se deveria ter em atenção a capacidade de carga dos nossos percursos recomendados. Temos estes exemplos de sucesso de proteção da natureza e do interesse que despertam a nível internacional. É notório o esforço que tem vindo a ser desenvolvido por este executivo na de preservação do ambiente. Mas não basta. Parece cliché, mas cada um de nós pode de facto fazer a diferença, e todas as entidades deveriam trabalhar para um objetivo comum: o da preservação da nossa natureza singular, que é também a fonte dos nossos rendimentos enquanto destino turístico.

Nenhum apaixonado pela natureza gosta de fazer um passeio numa levada e se deparar com uma verdadeira multidão. Quem nos procura fá-lo também pelo imaginário das ilhas um pouco inóspitas, pelas nossas paisagens agrestes, pelo verde da nossa florestas que se funde no azul profundo do mar…

Acredito que é possível trabalhar em conjunto - turismo, ambiente, guias de mar e montanha - pela melhoria da experiência que oferecemos a quem nos visita.

Nós somos uma região pequena, com um ecossistema que é tão único quanto frágil. Muito de bom se tem feito. A nossa Região tem sido reconhecida pela sua excelência. Cabe a nós, agora, pegar em tudo o que já se fez e fazer ainda melhor. Que seja este o nosso legado.