Sete pontos para não ser político

Já ocorreu perguntarem se não estaria interessado em entrar na política. Também me questionaram se uso este meio para me autopromover de modo a encontrar um tacho no meio político. O leitor que acompanha este espaço religiosamente, se não o faz não há problema, percebe, deduzo que seja inteligente, pelo que lê por aqui, que são questões às quais nem me dou ao trabalho de responder. Vários motivos levantam-se para que tal ausência de resposta seja entendida como negativa.

Primeiro ponto. Sou preguiçoso. Não aguentaria trabalhar e fazer o trabalho, que deduzo que há de ter de ser feito, no meio político para depois voltar à estaca zero e o mesmo ser contra as diretrizes do partido, x, y ou z. Posteriormente a minha célebre procrastinação levaria a que as coisas fossem deixadas para a última hora, o levaria a problemas de primeira linha.

Segundo ponto. Sou impontual. Sou a típica pessoa que chega tarde a tudo, ainda bem que não tenho a intenção de casar, lamento que a minha mãe venha a descobrir isto por aqui, mas é verdade, senão chegaria depois da noiva ao altar. O mesmo iria acontecer, supondo que iria ser um político competente – deve de haver algum, nas reuniões de trabalho o que causaria transtorno de maior à população.

Terceiro ponto. Sou algo temperamental. Se acontecesse alguma vez estar perante alguém que não se lembrasse de alguma coisa de relativa importância, era capaz de chegar ao pé da mesma e perder as estribeiras. Mas se a pessoa estivesse recordada e admitisse a falcatrua que fez e como tal foi efetuada, ainda me ria com a mesma e eleva-a a herói nacional, são como o Batman, os heróis que merecemos, mas não o que precisamos neste momento.

Quarto ponto. Tenho as contas em dia. Ocorreu uma altura em que tinha uma dívida de algum valor, comparado com biliões e milhões não era nada, e neste momento está tudo liquidado. Claro que na altura tive medo de ir para o ‘xilindró’, agora olho para trás e penso que burro que fui.

Quinto ponto. Sou demasiado descontraído. O que ajuda a contrastar com o terceiro ponto. Não levo nada demasiado a sério, acho que é inútil e penso que não há limites para o humor, pelo menos ainda não me contaram nenhuma piada em que ficasse ofendido, o que levaria a que a meio de discursos, por exemplo, saísse algo que chocasse a maioria da população. Depois seria queimado vivo e a minha carreira no meio fosse encurtada extremamente cedo.

Sexto ponto. Não tenho jogo de cintura. A minha namorada está sempre a se queixar que não sei dançar e que não tenho jogo de cintura. Eu acho que nesse campo até me safo bem (Martim não precisamos de ver o vídeo para ter a certeza), mas no campo figurado da questão admito que tal não é a minha praia. Agradar a gregos e a troianos não é bem a minha onda.

Sétimo ponto. Tenho ideais. Que normalmente abrangem os mais diversos sectores do espetro político por isso seria uma real dor de cabeça para quem me aturasse.