Uma estratégia ou uma intenção repetida para a Europa?

Jean Claude Juncker deixou uma mensagem na última cimeira informal de chefes de Estado e de governo da União Europeia que decorreu em Sibiu, Roménia, que aconteceu simbolicamente no dia da Europa, dia 9 de Maio e que marca, simultaneamente, o final da presidência da Roménia da União Europeia, presidência marcada por duras críticas pelo próprio Juncker. “Nenhuma estratégia resulta se não houver um foco. O que temos é de identificar as coisas que são realmente importantes e que podem ser resolvidas a nível europeu. Se quisermos fazer tudo, acabaremos por não fazer nada”. Esta foi a mensagem deixada pelo Presidente da Comissão Europeia aos líderes europeus.

Donald Tusk disse que em esta cimeira: “Vamos reunir em Sibiu no Dia da Europa para discutir planos que serão estratégicos para a União nos próximos anos. Nesse contexto, proponho que adotemos uma Declaração de Sibiu, enviando uma mensagem de unidade e confiança nas nossas acções conjuntas”.

Para este fim, a Comissão Europeia apresentou um documento com um conjunto de recomendações que é suposto ser a agenda estratégica da União 2019-2024. Ou seja, as prioridades políticas para o futuro da Europa. Resumem-se, basicamente, a cinco: uma Europa protetiva, que não é mais que o aprofundamento das políticas de segurança e defesa a que junta uma gestão “proactiva” das migrações; uma Europa competitiva, que é, no fundo, a conclusão da união económica e monetária; uma Europa justa, que é a reafirmação do modelo social europeu; uma Europa sustentável, que passa por um modelo económico amigo do ambiente, contra a mudança climática; e, finalmente, uma Europa influente capaz de “liderar no mundo através de um forte apoio a uma ordem global multilateral com as Nações Unidas no seu centro”.

Estas cinco prioridades são “velhas”, estamos a repetir as mesmas prioridades, e não estamos a produzir nada de novo. Infelizmente, se os líderes europeus desejavam uma Declaração a vincar a unidade da União Europeia, claramente falharam. A União Europeia não está a saber reinventar-se. Não está a saber olhar e a enfrentar os seus desafios internos de frente, ao mesmo tempo que se faz de cega face aos desequilíbrios estruturais (quer sejam econômicos, sociais, etc.) entre seus Estados-Membros e faz-se de “muda” no Mundo, onde não desempenha um papel, apenas reage! Os cidadãos europeus não sabem muito bem ainda o que é esta União Europeia e daí não fazerem uma prioridade. a de votar nas eleições ao Parlamento Europeu! Como podemos falar em tais prioridades como uma estratégia se apenas repete-se estas mesmas intenções em vários documentos políticos da União Europeia, e ao mesmo tempo, pouco se fala de acções? Assim não vamos lá! Os líderes europeus demonstram a razão do descontentamento dos cidadãos, ou seja, discursos bonitos com pouco conteúdo! Nem uma estratégia focada nas problemáticas e desafios atuais foram capazes de desenhar!