Perguntas indiscretas…

No tempo de vindima eleitoral – este ano particularmente longo – são muitas as atitudes que, motivadas pela oportunidade (oportunismo?) suscitam dúvidas. Na procura do apoio ou daquilo que julgam ser o voto certo, os partidos e em especial os mais deslumbrados com os cargos que exercem, vão numa azafama atropelando-se em declarações e em posições nem sempre coerentes ou responsáveis.

Houve duas últimas que me suscitaram dúvidas que coloco em termos de perguntas. Se os leitores tiverem atenção verão que as respostas são mais difíceis que as próprias questões:

- Como compreender a atitude de um primeiro-ministro que lidera um partido que há dois anos, pela voz do grupo parlamentar, votava uma recomendação ao seu Governo (numa resolução da Assembleia da Republica) para proceder à contagem integral do tempo da carreira docente (os tais 9 anos, 2 meses e 4 dias) e hoje chama de irresponsáveis quem aprova o conteúdo dessa recomendação?

- E será que o Primeiro-Ministro que acusou os partidos à sua direita de serem irresponsáveis porque se preparavam para votar essa contagem, terá a mesma qualificação para os seus companheiros de geringonça? Ou será que uns são bons para “os copos” e outros para “as contas”?

- Como compreender que partidos, com responsabilidade parlamentar, acertem com os adversários ideológicos à volta de uma mesa a redação de artigos sobre a contagem desse tempo e que uma semana depois, face à ameaça de uma crise política, deem o dito por não dito?

- Como compreender que os mesmos três partidos considerem uma irresponsabilidade aprovar a contagem integral do tempo de serviço impedido de contar desde o Governo de Sócrates, e aprovem por unanimidade a contagem desse tempo todo quando os docentes residam ou lecionem na Madeira ou nos Açores?

- O que dirão os seus ministros ou secretários de Estado quando forem confrontados nos concursos internos que promovam que haverá professores das ilhas a passar à frente de colegas do Continente só porque houve contagens diferentes?

- Como compreender que Presidentes dos Governos achem bem que nas suas Regiões o tempo seja todo para contar, mas apoiem os seus partidos, e os respetivos deputados regionais quando votam na Assembleia da Republica no sentido oposto?

- Como compreender que hajam deputados municipais que defendam que deve haver eleições quando um Presidente de Câmara pede a renúncia ao mandato e se esqueçam que o atual Presidente do Governo Regional chegou a Presidente da Câmara sem eleições, exatamente a substituir uma renúncia do então Presidente eleito?

- Como compreender que haja elementos de um partido a defender que se deve já criar um fundo para pagar às famílias e aos lesados pela queda da árvore do Monte e esqueçam que o mesmo partido domina um Município que ainda não pagou às famílias dos que morreram debaixo da Palmeira?

Como não deve haver respostas, tirem as vossas ilações. Da minha parte já conclui o evidente: o amadorismo e a hipocrisia alastram….