Sim. Isto é democracia

A África do Sul foi ontem às urnas. Tudo decorreu normalmente com algumas perturbações sem grande significado. Entre os 27 milhões que puderam exercer o seu direito de voto, encontram-se uns milhares de portugueses na sua maioria oriundos da Ilha da Madeira.

É necessário refletir, considerar no que aconteceu ontem, 25 anos após as primeiras eleições democráticas no país, e se o fizermos com honestidade, admitamos pois que o copo está meio cheio de otimismo numa eleições onde prevaleceu o espírito de “viver e deixar viver” que carateriza o povo sul africano e não só. Os lusos estiveram nas filas, algumas mais longas que outras, numa mistura der seres e raças diferentes, mas sentindo-se todos iguais e acreditando no partido em que iam votar que as suas cruzes no boletim de voto, o partido escolhido era o que acreditavam ser o melhor e aquele que dava mais garantias para a África do Sul se libertar, não do “apartheid” - esse pertence ao museu - mas sim de alguns corruptos que vagueiam nos corredores do poder e do partido governamental cuja rota final será a rota dos estabelecimentos correcionais.

Ontem as filas de eleitores eram filas de espera é certo, mas também é certo que eram filas de esperança, uma esperança igual à de 1994 que colocou o país na senda da democracia que ainda hoje prevalece e funciona.

As escolhas fizeram-nas conscientemente com o pensamento em si próprios, nos filhos, nos netos e nas gerações vindouras, na África do Sul que não querem que siga o caminho da “venezuelização” e isso faz toda a diferença, dissipando um pouco a cisma que se instalou, que se apossou das nossas gentes, não só nos lusos, mas em quase todos.

Houve algumas irregulariades, mas de pequena importância, contudo no cômputo geral foram verdadeiramente eleições livres e justas o mesmo não se pode mencionar ácerca de muitos outros países neste continente onde os “grandalhões” insistem da forma mais asquerosa em roubar a democracia o que vem sucedendo há décadas conduzindo os países e seus povos à mais abjeta pobreza e indignidade com muitas culpas também às NU que muito aconselham, prometem e nada fazem como tem sido observado.

​Para terminar, gostaria muito de saber se a senhora Mairin Moreno Mérida, Embaixadora da República Bolivariana da Venezuela para a África do Sul, Comores, Seychelles , Maurícias, Lesotho e Swatini (ex-Suazilândia) poderia informar o seu “patrão” de como se constrói uma democracia representativa ou democracia indireta, uma forma de governo em que o povo elege os seus representantes para os defender e zelar pelos seus interesses e que isto, sim, é a base da democracia. Não como acontece na República Bolivariana. E para Jerónimo, seria bom que verificasse como se processaram as eleições na África do Sul e recomendar ao seu amigo bolivariano com quem muito simpatiza com os métodos dele, mesmo sabendo que aniquilando os seus compatriotas “está no caminho certo”...