A Europa é solidariedade

A duas semanas das eleições europeias, os holofotes mediáticos chamam ainda mais a atenção da opinião pública para as diversas comemorações do Dia da Europa. Ontem foi um dia de celebrar o projeto europeu. Mas com ou sem eleições, é um pouco como as outras efemérides e datas especiais: importa celebrar todos os dias também a importância da Europa.

Acredito convictamente que a Europa é solidariedade. Contudo, ao ouvir os partidos mais à esquerda que fazem parte da solução governativa de António Costa, esses políticos olham para as suas cartilhas ideológicas e dizem que a Europa é o oposto da solidariedade. Nada mais errado.

Uma das maiores manifestações do carácter solidário da União reside na política de coesão. Particularmente depois do ímpeto da Comissão de Jacques Delors, o projeto europeu passa a estar ainda mais presente no dia-a-dia dos cidadãos: a chamada legitimidade pelos resultados. Nas estradas, nas infraestruturas, nos projetos sociais, na renovação de bairros sociais, no investimento em projetos científicos. E não nos esqueçamos da celeridade da União em ativar o Fundo de Solidariedade na sequência dos graves incêndios na Madeira em 2016 – mais rápido até que a própria República Portuguesa!

A Europa vive e está presente no nosso quotidiano também através destes resultados. Que outro organismo internacional promove a transferência das receitas de contribuintes de um país para investir em projetos, infraestruturas e pessoas noutro país, na magnitude do que acontece com os fundos comunitários, fruto das contribuições nacionais dos contribuintes europeus? Nenhum! Sim, Europa é mesmo solidariedade.

As negociações para o próximo quadro financeiro plurianual da União são tão essenciais para o futuro de Portugal e precisamos de políticos diligentes e competentes para as negociações e no caso da Madeira, que saibam lutar pelos nossos interesses regionais.

Mas a solidariedade é mais que a junção de todos os fundos comunitários. Somos também uma União solidária com os movimentos democráticos além-fronteiras. Quando o Parlamento Europeu assume uma voz inequívoca de apoio ao presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, fá-lo também devido às múltiplas insistências de eurodeputados em trazer a temática da Venezuela à agenda europeia, e é fundamental destacar também nesta matéria o papel proativo da nossa eurodeputada Cláudia Monteiro de Aguiar. Isso chama-se solidariedade.

Por isso é fundamental participar nas eleições europeias, contrariando as altas taxas de abstenção do passado, porque se a Europa hoje é solidariedade, a verdade é que estamos num momento crítico com a possível entrada avultada de mais populistas para o Parlamento Europeu. Populistas que nem sabem onde ficam as Regiões Ultraperiféricas, muito menos compreendem a necessidade de promover a coesão socioeconómica na União para benefício de todos. E contra esses não há frases ocas de show-off que nos valham. Contra essas derivas só mesmo o nosso voto na candidata melhor preparada para defender ‘mais Madeira na Europa’: a nossa Cláudia.

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Sugestão da Semana

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