Nós somos livres para sermos libertados!

We are free to be freed, esta frase que ecoa na música brilhante de Nithin Sawhney, Breathing Light, é o mote para esta breve dissertação.

Nós somos livres para sermos libertados? De facto sabemos que o processo vivencial conserva tantas prisões, tendo à cabeça o Tempo, daí a relevância em contemplar o que nos rodeia, para isso parar, escutar os sons da natureza, observar o vento a ondular as copas das árvores, sentir que o que nos rodeia é mais real que nós, que nós é que somos os fantasmas desta realidade (J.Steinbeck), estamos de passagem, acima de tudo respirar, pensar em tudo o que se passa na nossa vida, somos prisioneiros do tempo, mas não seremos livres? Como o aforismo de Pablo Neruda determina, “você é livre para fazer as suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”, somos então escravos do nosso exercício mental e concepção de vida!

Vejamos que o mundo gira sem se importar connosco, a Natureza prossegue o seu rumo, as outras pessoas estão embrenhadas na sua vida, então que relevância apresento para o mundo? O questionar não nos deve tornar seres amorfos e perfeitamente derrotados, ao invés é a base que nos permite construir um percurso reconhecendo a nossa verdadeira significância para o mundo, toda ou nenhuma, sendo que em ambos os casos não deve existir sentimento de culpa, é apenas o desígnio a cumprir. A maior prisão é a nossa mente, o resto são os condicionalismos vivenciais e existenciais. Ao acometer o nosso nível de relevância para o mais aproximado ao real a vida torna-se mais leve e o caminho é feito de forma mais franca e o desígnio é cumprido! Compete-nos fazer o melhor pelo melhor, sempre no caminho do Bem!

Seremos então livres? Na minha concepção somos prisioneiros de todas as circunstâncias que não nos são controláveis, tendo à cabeça o Tempo, acrescento o que Kahlil Gibran diz “Tudo vive na Terra com a lei da natureza e dessa lei emergem a glória e a alegria da liberdade. Porém, a Humanidade negou a si mesma esta ventura, pois estabeleceu para a alma recebida de Deus uma limitada lei terrena, de sua própria autoria. Fez para si regras rígidas e construiu uma prisão estreita e dolorosa, na qual encerrou os afectos e os desejos da Humanidade”, complemento que a liberdade verdadeira é aquela que consegue libertar-se das amarras mentais, a concepção de vida de futuro que criamos, a imagem do mundo que nos rodeia e acima de tudo que construímos. Reside na observação do cumprimento de um desígnio que não possuímos (o que permite a infinidade de possibilidades no exercício imaginativo) e na sua aceitação, a Paz na nossa vida e por ora Liberdade! As limitações óbvias da nossa existência são apenas para ser assumidas e validadas como circunstâncias imutáveis (ou de probabilidade infinitesimal), toda a nossa concepção mental é o campo da nossa liberdade e prisão, somos sim prisioneiros da observação da nossa verdade, no fundo viveremos sempre a verdade que criamos mentalmente, e quando o destino mental for diferente do destino real, a revolta, frustração e depressão, levam a melhor, só o aceitar leva a Paz (não queria associar aqui o conceito de Felicidade mas obviamente só um estado de Paz e Aceitação levaria à Felicidade)! Mas aqui falamos de liberdade e da prisão que nos impomos, que é mental. Somos sim livres para sermos libertados das amarras mentais que criamos, somos livres para nos libertarmos da expectativa de um futuro que (já) não existe, sabemos bem que a vida é um processo inacabado e que os sonhos morrem por vezes prematuramente, mas somos livres para nos libertarmos deles, só o Passado nos pertence verdadeiramente, o futuro será o que aceitarmos dele, pois na realidade são os Hábitos que nos Definem, mas os Actos que nos Traem!