Cada um tem a família/governo que merece

A família não se escolhe... Calha-nos! Bem... Nem toda! Os avós não se escolhem. Os pais também não. Os irmãos são uma sorte. Tios, primos, cunhados e afins é o que Deus quiser... Sogra? Bem... Também não temos grande poder de escolha. Mas mulher, por exemplo, podemos escolher! E mais que uma vez... Felizmente! (Lembro-me de ter ouvido no altar “até que a morte vos separe” aquando do meu primeiro casamento. Em boa hora apareceu a minha mulher que trato carinhosamente por morte. Curioso! Foi preciso ela aparecer para eu começar a viver!).

Resumindo, grande parte da família é-nos atribuída. Muito pouca tem o nosso aval. No entanto, culturas há em que ainda é pior. Nem os cônjuges se escolhem! Um autêntico acaso em vida própria. Não ia dar para mim... Suspeito!

No fundo faz lembrar a política. Há cargos que se podem escolher... Outros não! Para uns são eleitos. Para outros são nomeados. Raramente vão a concurso! (E quando vão, este é feito à medida. Tem que ter a altura exacta, o peso certo e o sinal mais preciso possível!). Muitas vezes, o que devia ser selecionado pelo curriculum perde para o melhor CU(rri)CU(lum).

A páginas tantas, é tudo uma questão de fortuna... É rezar para que um de nós seja eleito, que depois cabe sempre mais um parente!

No governo central, o ministro da administração interna é casado com a ministra do mar. Ministra essa que escolheu o marido da ministra da justiça para presidente da comissão de renegociação da concessão do terminal de Sines. O ministro das infraestruturas é casado com a chefe de gabinete do secretário de estado dos assuntos parlamentares. Senhor esse que é casado com a nomeada para coordenadora da unidade nacional de gestão do mecanismo financeiro do espaço económico europeu. Isto é que vai para aqui uma açorda...

Raio de continentais sem vergonha (para não lhes chamar de... Cubanos). Felizmente que por cá não há dessas relações promíscuas!

Uma revista do retângulo quis difamar parte do povo superior e publicou um chorrilho de mentiras, mas por sorte ficou tudo “apreendido” no nosso aeroporto. Agora o presidente do PS Madeira e da Câmara do Porto Moniz tem um dos filhos já como presidente da JS-M, integrante da comissão política do PS nacional e provável candidato a deputado nas legislativas? Tem o outro filho como deputado no Funchal e nomeado para uma empresa municipal? Não tem! Não tem. Não tem! Como também não nomeou a namorada para chefe de divisão administrativa da câmara da costa norte.

No Funchal, o presidente da câmara não tem uma relação assumida com a secretária da presidência. Não existem vereadoras na autarquia do Funchal que sejam cunhadas do líder parlamentar do PS. Calunioso é também dizer que o adjunto no gabinete dessa mesma vereadora seja compadre do líder dos socialistas. Falacioso é ousar-se sugerir que outro vereador (que até para a sogra arranjou trabalho) tem a irmã como adjunta da vereação que por sua vez é namorada de outro vereador e secretário geral do partido do centro-esquerda. Impossível também acreditar que ainda outra vereadora nomeou o primo para chefe da Divisão das Águas.

Inimaginável seria dizer-se que isto se passa em todos os partidos e que a única coisa que muda é a dimensão. Cruzes. Isso acontece cá nada no PSD. Na JPP? Fora de hipótese. PTP nem se fala...

Igualmente injurioso seria afirmar-se que todas estas ligações são imorais, obscenas ou indecorosas. Obviamente que não são... Está mais que visto que hoje em dia já não se pode confiar em qualquer um. Só mesmo na família! Mas não abusem... Não tem que ser toda!!

No entanto, eu cá continuo a acreditar que as pessoas estão nos cargos por competência... Ninguém me tira isso da cabeça! Mas, pelo sim pelo não, já estou a formar governo. Em casa já tenho uma super vice presidente e 3 secretários. Conto com o vosso voto. Está a valer um tacho!