Aceitar os imprevistos e a impermanência da vida

Neste mês de abril, já tinha planeado escrever sobre um outro tema, mas um imprevisto (uma fratura no antebraço esquerdo) motivou uma reflexão, oportuna, sobre os contratempos e desafios da vida moderna. Ainda que, por momentos, tenhamos a ilusão que tudo é previsível e controlado, como dizia Ayrton Senna (1960-1994), piloto brasileiro, “a qualquer momento tudo pode mudar”. Somos frágeis, vulneráveis e mortais.

Segundo o dicionário Priberam da língua portuguesa, imprevisto é algo não previsto, súbito, que surpreende. Tal como o nome indica, é um acontecimento inesperado, que acontece de uma hora para a outra. Pode ser agradável e bem-vindo ou desagradável e indesejado. Em ambos os casos pode alterar o rumo da vida, de forma temporária, ou definitiva.

Quando o imprevisível acontece, em especial as surpresas desagradáveis, e consoante a gravidade, podemos “perder o chão”. Há uma fase inicial de desorientação, dormência e negação da situação. O confronto com a nova realidade revela-se duro. Seguem-se as reações emocionais de: tristeza, choro, medo, zanga; e sentimentos de: frustração, desamparo, vazio, solidão e insegurança. Neste período, é fundamental não se deixar abater pelas circunstâncias, e aceitar o que não podemos mudar. Uma atitude de aceitação autocompassiva é o segredo que nos devolve a paz de espírito.

Uma vez refeitos do tumulto emocional é hora de reagir! Como? Resgatando os nossos melhores recursos internos: uma mente positiva (nutrida por pensamentos otimistas, focada na superação) e uma coragem firme (orientada para a adaptação/recuperação rápida e reconstrução de novos caminhos e soluções). É necessário encarar as mudanças como algo natural da vida e a resiliência humana como uma vantagem biológica. Possuímos este potencial de resistir, reagir e superar os desafios com consistência e flexibilidade. Ultrapassar as adversidades obriga-nos a sair da zona de conforto, e a esclarecer quais são, afinal, as nossas prioridades na vida.

Nem tudo é, aparentemente, negativo. Na verdade, uma situação nova pode esconder uma bênção, uma lição, uma oportunidade de crescimento. É essencial tentar extrair algo positivo de todos os imprevistos. Quem sabe se uma dificuldade poderá despertar uma motivação extra pela conquista de um sonho antigo, e possibilitar ainda mais felicidade e realização? Ainda que não tenhamos a total compreensão dos mistérios da vida, é preciso acreditar que tudo tem uma razão de ser e que “há males que vêm por bem”. Se servir de consolo, numa futura situação semelhante, mais experientes e mais bem preparados, poderemos antecipar e minimizar riscos com mais tranquilidade, pois a “matéria” já foi compreendida e assimilada! Sejamos, por isso, sempre gratos!

Em suma, os imprevistos acontecem a todos, sem exceção e sem aviso. A qualquer momento, o movimento natural, incerto, e incontrolável da vida pode revelar-nos surpresas. O universo tanto nos oferece oportunidades fantásticas de materialização de sonhos há muito desejados, como nos “parte” os ossos, o coração e a alma. Aceitemos, sem resistência e sem apego, o fluxo da impermanência. Aprendamos a fluir e a extrair satisfação e felicidade em todos os momentos da nossa vida. Acredite e mantenha a fé e a esperança no futuro. Sabe porquê? “Porque o melhor ainda está por vir”!