Gratos Moçambique

O Ciclone tropical mais forte a atingir a costa sudeste africana de à uma década, Idai de seu nome atingiu a África do Sul, Madagáscar, Malawi, Zimbabué, mas acima de tudo Moçambique, por ter sido a zona de impacto directo com terra.

Os ventos sustentados na ordem dos 200km/h aliado a uma precipitação forte, criou um oceano interior com o trasbordar dos rios Búzi e Púnguè. A tragédia humanitária com perdas de vida é elevada (ainda em contabilização) estimando-se chegar ao milhar só em Moçambique. Infelizmente esta é a face mais visível da tragédia, mas de longe não será a mais pesada, as implicações do Ciclone vão muito para além da simples contagem de mortos e feridos directos, sendo os sobreviventes e as suas condições vivenciais uma prioridade (perdas para a agricultura e comercio, no fundo, de futuro). Neste momento existe já em curso um surto de cólera (já ultrapassa as 1400 pessoas e a subir) com 5 mortes confirmadas, são as estruturas que foram afectadas (mais de 200mil casas, 2 mil barcos) são as mais de 3000 salas de aula destruídas, são as vias de comunicação, sendo que o INCG estima em mais de 1,5 milhões de pessoas afectadas.

Não é possível ficar indiferente, ver famílias que pouco tinham e nada ficaram, no topo de telhados de construções precárias a observar a subida do caudal dos rios a espera de uma morte agonizante, ou o destino cruel do recomeço a partir do nada.

A Região Autónoma da Madeira não poderia ficar indiferente, e por isso de uma forma abnegada e de coração cheio, iniciou diversos movimentos de angariação de víveres e produtos de necessidade premente, várias instituições (não nomeio propositadamente pois quem dá só necessita sentir a alegria de o poder fazer, e como diz Mateus 6:2 “Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão.” 6:3 “Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita”) associaram-se a esta iniciativa, pela vontade e possibilidade de ajudar. A parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa é fundamental por vários motivos, um é o da análise, perscrutação e validação “in loco” das necessidades prementes e outro é a idoneidade e garantia de chegada das ajudas a quem mais precisa, a CVP solicitou a colaboração da KPMG para auditar o processo, para que seja o mais transparente possível e para que não existam dúvidas e desconfiança (a desconfiança nas ajudas é crescente, pelo comportamento de alguns num passado recente, e pela sociedade que está cada vez mais descrente em si própria). Esta corrente só é possível com o contributo de todos, de forma genuína e abnegada, obviamente que quem ajuda gosta de poder decidir com o que ajuda (parece normal se a tragédia tem esta dimensão, e se há necessidade de tudo, porque não poder contribuir com tudo?), no entanto o transporte para Moçambique apresenta grandes limitações, por uma questão de sensatez e acima de tudo racionalidade, deve ser enviado o que é solicitado e identificado pelas equipas no terreno como urgente, daí a necessidade de um escrutínio e da criação de listas de necessidades. No caso particular dos medicamentos assume ainda uma maior relevância por sabermos que só farão sentido os que são identificados como urgentes, mas como se trata de uma tecnologia diferenciada e com um controlo apertado, nestas ajudas não faz sentido angariar medicamentos (não há licenciamento de locais de recolha, armazenamento e transporte dos mesmos que são legalmente obrigatórios e derivam da necessidade de um sistema estanque e manutenção das suas características com controlo de humidade e temperatura, por ex.) e porque a jusante o continente africano lida com graves problemas ligados ao circuito ilegal de medicamentos (roubos e contrafacção, com valores a atingir os 70%), pelo que a ajuda medicamentosa é necessária direi obrigatória e foi solicitada pela CVP para as moléculas com urgência, mas o seu circuito já está preparado dentro do cluster farmacêutico com o sistema de distribuição e logística a assumir a mesma com articulação por parte da Secretaria da Saúde.

Somos apenas veículos do Bem, Bem esse que se encontra na mão e coração de quem dá, devolvamos o H maiúsculo à Humanidade.

Moçambique, somos eternamente Gratos por poder ajudar.