Um livro, uma imagem: um mundo de possibilidades

Esta pode ser uma história, ou um sonho sobre Istambul, a cidade mágica, completamente frenética, mística, misteriosa e que nos consegue seduzir nos mais variadíssimos aspetos.

São os livros que me levam a um mundo de possibilidades, um mundo de onde nunca mais quis sair. Ler um livro é sonhar, é salvar vidas e ter esperança. Ler um livro é encontrar um tesouro encontrado entre duas capas.

Passei os meus primeiros dias escolares a diagramar frases e a completar folhas de caderno com exercícios de fonética sob o olhar atento da Irmã Alda. Toda a minha turma leu em uníssono à medida que ela apontava para as palavras com uma longa vara de madeira. Lembro-me, das primeiras vezes que a leitura foi bem difícil, chata, e muitas vezes suada. No entanto, a minha sanidade permaneceu por causa de histórias. Não necessariamente histórias escritas, não as histórias esfaqueadas com uma vara de madeira, mas apenas histórias. Filmes, desenhos animados, jogos... Fotos. Ah, a beleza dos desenhos, faziam a minha delícia. A minha imaginação também apoiou a leitura e a escrita. Desenhar e brincar com os brinquedos afiaram os meus sentidos literários. Esboços de caráter chuvoso à tarde, completos com diagramas completos de engrenagem, poderes, e até mesmo histórias simples ajudaram a moldar profundamente no desenvolvimento de caráter literário.

Batalhas épicas, histórias de princesas e fadas, o conhecido capuchinho vermelho, o gato das botas, os véus que escondem caras, os pergaminhos indecifráveis… A minha imaginação superou a habilidade numa idade adiantada e os livros já quase não conseguiam competir com o olho da minha mente.

O meu apetite criativo pela leitura estava instaurado. A leitura agarrou-me quando li os contos de Canterbury. Cavaleiros, punhais, arcos e espadas. Personagens que me enfeitiçaram até hoje. E seguiram-se muitos mais.

É assim que acontece, sempre. Depois de se ler um livro, de se viver num livro, todos nós vestimos a pele dos nossos personagens para comemorar. Corri com o meu arco e flecha, enverguei vestidos de princesa, calcorreei medinas, naveguei por mares que nunca pensei e até comi a maçã envenenada.

Ler um livro é como plantar uma semente. O mais minúsculo pouco de tempo dedicado à interação alegre com os livros vale a pena.

Hoje, porém, a história é outra. Uma história onde eu sou a personagem principal. Sinto o odor das especiarias e alegro-me com as cores vistosas dos bazares.

Preparava-me para deixar Istambul, numa manhã demasiado fria para o mês de abril, quando recebi esta provocação numa mensagem: “Tapei a cabeça com um xaile barato do Grande Bazar e fiz-me à vida. Enquanto engolia um café turco detive-me a olhar o Bósforo. Istambul era uma festa de minaretes apontados ao céu. A Istambul nostálgica e poética, difícil de definir onde o ocidente e o oriente se cruzam em palimpsestos enigmáticos. Quando saí da esplanada já o muezzin chamava para a oração.”