Prazeres pecaminosos

Prazeres pecaminosos, em inglês soa melhor e parece menos erótico, guilty pleasures, aqueles pequenos momentos, ou coisas, que nos dão prazer, mas que temos vergonha de admitir em público. Não sei até que ponto masturbação não entra nesta categoria, mas para já vamos ocultar da lista e da crónica...

Confesso que tenho uns quantos que fico envergonhado em admitir, gosto de uma boa comédia romântica, não estou a incluir Annie Hall pois acho que pertence a uma categoria diferente, mas podemos incluir 500 dias de Verão, por exemplo. Macho que é macho não admite uma coisas dessas, da mesma forma que não admite que até acha piada às músicas de Justin Timberlake, por exemplo, ou até mesmo de Kylie Minogue. Um homem de trinta e alguns anos também tem dificuldade em consentir que gosta de wrestling, daquele que, sim, é falso – ainda não vi a wrestlemania deste ano, por isso cuidado com os spoilers. E por aí fora... Penso que o leitor já percebeu mais ou menos do que estou a falar.

No âmbito político os prazeres pecaminosos são outros, incluem nomeações de mulheres, maridos, amantes, filhos, sobrinhos, cunhados, tios, avós, pais, bisnetos, netos, compadres, afilhados, padrinhos, cão, gato, peixe de aquário, catatua, porquinho da índia, porquinho sem ser da índia e por aí fora. É algo que faz parte do ser político, está no seu ADN, não podemos é esperar que de um momento para outro isso desaparecesse, a não ser que sejamos como o Cavaco Silva em que a memória esteja curta. É, infelizmente, uma praga que assola a sociedade e que muito dificilmente será exterminada por dois motivos, não interessa a quem está no poder que isso aconteça e não interessa a quem está na oposição. Com isto tudo não quero dizer que o porquinho da índia não tenha condições, nem conhecimentos para ser chefe de gabinete de algum secretário de estado, às tantas consegue ser mais competente que o próprio secretário.

Há também na sociedade atual um novo género de prazer pecaminoso, o dizer mal e levantar falsos testemunhos. Esta situação vive em crescente exponencialidade graças à nova era das redes sociais e a falta de regulamentação da mesma. A má-língua, característica importante no desenvolvimento da boa língua, mas infelizmente não atinge a mesma proporção, cresce à medida de likes e adoros, servindo estes de certificados de qualidade.

E com isto prefiro afirmar de peito cheio que prefiro ouvir Justin Timberlake e Kylie Minogue!