O xixi e o Dia da Mulher

Na passada sexta-feira celebrou-se o Dia Internacional da Mulher. Aviso desde já que sou a favor desse dia, é o melhor dia do ano e não há como nega-lo, o Conan adora bolos, eu adoro sextas.

Em relação à efeméride celebrada, não concordo, ponto. E não concordo pela perspetiva mais bacoca e mais idealista possível. Sou da opinião que não deveria de ser necessário o Dia da Mulher para nos lembrarmos das desigualdades, da violência de género e outras coisas do tipo, acho que deveria de ser um dia normal em que as mulheres não precisassem dele para vindicar os mesmos direitos e apelar ao fim da violência sobre as mesmas. Acredito que haverá um dia não muito distante em que não faça sentido celebrar o Dia da Mulher e que este se num dia normal.

Mas como é óbvio ainda temos muito caminho pela frente. Um bom primeiro passo era facultar umas casas de banho para o sexo feminino na placa central na altura das festas que por lá existem, atualmente de dois em dois meses há qualquer coisa por lá, durante o horário de funcionamento das mesmas. Se a sociedade aceita, e para ser sincero é mais prático, um homem urinar num canto, as mulheres já têm alguma dificuldade e aceitação para fazer isso. Por isso, senhores responsáveis pela organização de tais festas, não sei se Câmara do Funchal, se Governo Regional, façam o favor de colocar, mijatórios (daqueles portáteis, não custa nada) para as senhoras não regarem o Jardim Municipal, deixemos isso para os homens. A não ser que as mesmas queiram, caso contrário ignorem tudo o que foi escrito em cima.

Continuando na sina do dia da mulher, coloco uma questão, porquê as flores? Porque é que as floras são oferecidas às mulheres neste dia? É para celebrar a diferença das mesmas, chocando com o propósito do dia, ou é simplesmente uma maneira de despachar as rosas murchas do dia dos namorados?

O dia é de facto algo memorável, o número de jantares específicos para o público feminino cresce, com a decoração cor de rosa choque a preencher os espaços como modo intimidatório, “isto é só para as mulheres”, as saídas em bando feminino aumentam celebrando o direito de apanhar uma piela, e há espetáculos de strip masculino para elas... Isto tudo junto parece um cocktail combustível para uma caricatura da mulher e não ajuda nada o propósito do dia, acho eu, digo eu e espero que maioria de vocês ache, caso contrário a esperança do Dia da Mulher diluir para um dia normal começa a desvanecer.

Fica a dica para a celebração do próximo ano, um dia normal, menos histerismos – e com isto não estou a referir-me às mulheres, mas à sociedade, mais bebida na placa central e caso continue a não haver um xixi na Jardim Municipal, caso contrário utilizem as casas de banho portáteis que o Miguel Gouveia irá certamente proporcionar.