Online versus Offline: os prós e contras das redes sociais

Estamos continuamente conectados uns com os outros através das redes sociais. Porém, será essa conexão verdadeiramente humana? Ou fica-se apenas pelo virtual? De facto, estudos revelam que apesar de vivermos num mundo extremamente conectado, sentimo-nos cada vez mais sós ou individualistas.

As redes sociais, ajudadas pelo exponencial desenvolvimento das tecnologias móveis, têm prós e contras. Por um lado, podem ser espaços de partilha e reflexão com um enorme potencial de ajuda e de conexão com pessoas do outro lado do mundo. Por outro lado, não promovem aspetos humanos fundamentais como a capacidade de autocritica e a empatia. As redes sociais virtuais dão a sensação de um poder ilimitado, de uma omnipotência não-existente, o que pode ter consequências pessoais e sociais desastrosas. Acredito que uma das suas piores consequências é a falta de empatia, ou seja, a perda gradual da capacidade de se colocar no lugar do outro, onde se ignoram sentimentos, enfraquece-se a moralidade e reduz-se a capacidade de diálogo face a face, qualidades essenciais para um desenvolvimento pessoal e social equilibrado.

De facto, as redes sociais evocam diferentes elementos psicológicos de quem as usa e podem causar o chamado “efeito da desinibição online”. Significa isto que, na Internet, as pessoas sentem-se mais encorajadas a agir e a exibir comportamentos que muitas vezes evitariam se estivessem cara a cara com o Outro. O travão que impede a adoção destas posturas “na vida real”, muitas vezes, não funciona no ambiente virtual, onde existe apenas um ecrã, um “username” e um teclado na relação com o Outro. Este travão, que resulta de uma construção pessoal e social com base nas relações interpessoais estabelecidas ao longo da “vida real”, do qual a capacidade crítica, a empatia, a moralidade e o respeito pelo Outro fazem (ou devem fazer) parte, é contornado na “vida virtual” e pode ter como resultado este efeito da desinibição online.

A situação fica ainda pior com os posts de perfis usados na Internet para ocultar a identidade real (os “fakes”) e que, geralmente, apelam para o lado mais sombrio dos seus autores. Fenómenos como o bullying, o mobbing, ou apenas comportamentos desagradáveis são ativados. Ao se esconder por detrás de uma “personagem”, o indivíduo consegue contornar mais facilmente normas sociais, evitando a crítica direta dos outros. São também nestes posts que as “vidas perfeitas” de alguns são exibidas, como se de um prémio se tratasse, levando a que muitos outros se sintam “inferiores” por não atingir a “perfeição” na sua vida pessoal e profissional.

As redes sociais online têm tanto de bom como de mau! Há que existir um equilíbrio na sua utilização, mas sobretudo um reconhecimento de que estas não substituem a “vida real”. As pessoas procuram nas redes sociais online, muitas vezes, uma conexão e autoexpressão num determinado contexto social. Porém, não conseguem, com isso, substituir tudo o que a vida offline proporciona. A socialização online não substitui a relação humana da socialização offline. A rede social online usada como uma extensão da rede social offline é um benefício para todos nós; o problema acontece quando ela se torna substituta. Porém, se o que vai prevalecer na rede é o lado bom ou mau da pessoa, isso vai depender da forma como escolhe usá-la com base nas suas próprias caraterísticas psicológicas. Cabe a cada um de nós essa decisão!