Dos sonhos do século XVIII, à Revolução Tranquila

No final do século XVIII, o Liberalismo da Revolução Francesa toca também as elites madeirenses. Mormente através da Maçonaria, trazida para a Madeira por imigrantes ingleses.

No século XIX, a decorrente oportunidade de o Povo Madeirense finalmente conquistar uma Autonomia, põe tais esperanças na primeira Constituição, a de 1822.

Porém, devido ao facto de Açores e Madeira, administrativamente, deixarem de ser considerados Ultramar e passarem a “ilhas adjacentes”, a situação piora. Porque perdem as especificidades antes reconhecidas no plano legislativo e executivo, e são integrados em todas as soluções globais adoptadas no Continente.

Ainda a Revolta da Maria da Fonte de 1847, no Rectângulo, à Madeira estabelece uma Junta Governativa. Mas só com poder executivo, não legislativo. O que dura apenas entre 29 de Abril e 14 de Julho.

Continuará o reforço do centralismo e o sugar por Lisboa da maior parte do valor produzido pelo suor do Povo Madeirense.

No entanto, a imprensa regional assume forte cariz autonomista - hoje, nalguns casos, chega-se ao absurdo de ser o inverso - e, neste clima, em 1882 a Madeira elege um dos então raros deputados republicanos às Côrtes.

Ainda na Monarquia, reformas de Hintze Ribeiro que são claramente mais favoráveis aos Açores, em 1901 estabelecem uma Junta Geral, porém a par de novas medidas centralizadoras. Junta Geral cujas deliberações ficam sujeitas ao veto do “Governador” e do Governo central!

Com a I República de 1910, agrava-se a situação político-social, ainda por cima com a participação de Portugal na I Grande Guerra. São reforçados os monopólios na Madeira, são lançados mais impostos e a legislação continua a não distinguir a Madeira dos “distritos” continentais.

Morrem assim as ilusões do Povo Madeirense quando da proclamação da República.

No entanto, em 1922-23, apoiado pela imprensa regional, gera-se no arquipélago um clima eufórico de debate sobre a Autonomia. A Junta Geral tenta liderar este processo. O Dr. Manuel Pestana Reis apresenta umas “Bases da Autonomia”, próximas do Federalismo.

Para além do boicote dos partidos políticos continentais, mais uma vez o tradicional divisionismo saloio entre Madeirenses narcisistas, bem como o condenável conformismo da nossa população, faz gorar qualquer tentativa autonomista.

A Constituição de Salazar, 1933, é antecedida de sucessivas revoltas militares que o 28 de Maio de 1926 não interrompeu.

A Revolta da Madeira (1931), assente no descontentamento popular, a chamada Revolta da Farinha, bem como a Revolta do Leite de 1936, enfurecem o regime ditatorial, que nos pune com encargos fiscais a serem receita para os investimentos públicos no Continente!

A ditadura representa a Emigração bem como a continuidade da pobreza e do roubo do fruto do nosso suor. Embora, mormente antes das guerras coloniais, o Estado central salazarista investisse em obras públicas numa dimensão até aí sem precedente.

Com o 25 de Abril de 1974, a estratégia na Madeira foi a de aproveitar a então debilidade do Estado central para sobretudo pôr termo à exploração colonial dos nossos recursos e à sociedade feudalizada e atrasada que se vivia na Madeira.

É criado o movimento autonomista Frente Centrista da Madeira que, três meses depois, contratualmente se integra no então Partido Popular Democrático, hoje PSD, mas com clausulado de autonomia política própria.

Diferente dos Açores, onde o PPD foi fundado de raíz.

O poder comunista, através do “gonçalvismo”, tenta se opôr pela força. A Madeira responde com a liderança do Bispo D. Francisco Santana, com a solidariedade política de Francisco Sá Carneiro, e de muitos militares democráticos do movimento anti-comunista 25 de Novembro de 1975, e também com a força da guerrilha urbana.

Porém, devido à cultura centralista dos partidos políticos continentais e de algumas “élites” nacionais, a Constituição de 1976 fica muito longe das aspirações autonómicas e democráticas do Povo Madeirense, sendo aliás neste sentido ainda mais débeis as suas revisões.

Apanhando-nos com uma Autonomia Política, ainda que aquém da pretendida, que nos dotava de poderes legislativos e executivos próprios, legitimados num sistema eleitoral democrático, logo nos propusemos a desenvolver o arquipélago com uma Filosofia e com uma Estratégia: a) um filosofia política Personalista; b) subverter pacificamente a injustiça social, alterando a distribuição do rendimento para reduzir as diferenças; c) estabelecimento de uma nova Classe Média; d) aproximação à Europa, para nivelar.

A Filosofia Política Personalista assenta no primado da Pessoa Humana sobre o Estado e instituições, bem como sobre o ser humano considerado apenas individualmente. Visa o Desenvolvimento Integral que, para o ser, tem de simultaneamente prosseguir social, económico, cultural e ambiental. Considera o Trabalho como a essência da realização da Pessoa Humana, estando Capital e Natureza ao Seu serviço, o que impõe as respectivas consequências legais.

Para se subverter pacificamente a injustiça social: a) fez-se a única Reforma Agrária que vingou em Portugal, extinguindo-se o regime de colonia; b) investiu-se, para criar Emprego e para construir as infrastruturas necessárias ao mencionado Desenvolvimento Integral, o que, quer com mais moeda em circulação, quer com estas efectivas novas respostas nos mais diversos campos, trouxe a evolução imprescindível e o crescimento de uma nova classe média. Opções diferentes do assistencialismo socialista em moda que mantém a pobreza e estagna ou reduz a Classe Média; c) subverteu-se a Madeira Velha através da Educação:

• Quer com a generalização do Ensino, da Cultura, do Desporto e da Informação;

• Quer com a criação da Universidade para que, com a titularidade de Conhecimento se operar à redistribuição do rendimento, em especial nos salários, ou se exportar o mesmo Conhecimento e Inovação, já sem sequer se falar dos evidentes efeitos da Universidade no meio onde se integra.

Hoje, a nova Classe Média tem uma dimensão muito maior do que a minúscula pequeno-burguesia conformada da Madeira Velha.

Hoje, nivelámos ao rendimento europeu “per capita”. Se o PIB madeirense era vinte e nove (29) milhões de euros em 1976, em 2014 era já de cinco mil milhões (5.000).

Por isso se chama a este período a REVOLUÇÃO TRANQUILA.

Valeu mais tudo o que, sempre em Paz, e em Liberdade, SUBVERTEU socialmente a velha sociedade madeirense, do que todas as 4.890 obras físicas que inaugurei.

Nada é ou será perfeito. Só Deus ou qualquer absoluto da Matemática.

Mas a Revolução Tranquila assentou numa Filosofia e no seu desenvolvimento estratégico em consequência planeado.

Com a oposição das classes dominantes (ainda hoje...). Com a oposição dos partidos nacionais e dos seus conhecidíssimos agentes locais que nem falam sobre o futuro da Autonomia, nem aceitam a Dívida Histórica da República ao Povo Madeirense. Com a oposição de uma cultura política centralista em Lisboa, de quase nove séculos. Sobretudo com a oposição fascista dos partidos políticos comunistas, o PCP e o bloco de falsa “esquerda” que, caso único em toda a Europa, somam vinte por cento no eleitorado português.

Interessante um estudo recente que demonstra o nível da demência em Portugal ser substancialmente superior à média europeia. Vinte em mil, em Portugal. Quinze em mil na Europa.

 

Assino por baixo

Post-scriptum 1 - Excelentes os artigos do Dr. Miguel Pinto-Correia, sobre a União Europeia, no “J.M.” de 28 de Fevereiro e de 7 de Março. Aliás aprecio este Autor, à parte o seu monarquismo parlamentarista diferente do meu impenitente republicanismo presidencialista.

 

Um sistema policial?...

​Post-scriptum 2 - É importante que os correspondentes serviços da República Portuguesa esclareçam o Povo Madeirense quanto ao número de Oficiais e de Agentes da PSP, de Militares da GNR, de Membros da Polícia Judiciária, de Militares da Polícia Marítima e de Agentes do Ministério Público, colocados na Madeira, em percentagem da população deste território autónomo e comparada com a mesma percentagem em cada ex-distrito do Continente.

Não responder, seria arrogância colonial.

Trata-se de um contributo importante para avaliar o reforço policial sobre o Povo Madeirense que a Câmara do Funchal pretende com a criação da “polícia municipal”, cujo “estudo” (?!...) confirma o seu pagamento vir a ser feito através de perseguição e multas sobre os Cidadãos e as Empresas.

Para além de não estar devidamente acautelada a sua imperativa independência política.

É que o socialismo tem sempre destas vertigens repressivas, policiescas... e partidarizadas! Para além dos seus poderosos lóbis económicos locais, enriquecidos à custa da “falta de liberdade” que lhes foi propiciada.

Que se passa com esta Câmara do Funchal, cujo segundo mandato se transformou num disparate?!...

 

Os “verdes”...

Post-scriptum 3 - O Leitor já viu aquela de a Oposição que temos, querer o “verde” por todo o lado... menos nos jardins de Santa Luzia?!... Onde, coitadinho, não se implantou ali um monstro “amigo”, o tal “cimento” que eles tanto criticam!...

Já viram a Madeira entregue a este tipo de gente?!... Um “fartar vilanagem”!...

Como escreveu o professor israelita Yuval Harare em “História breve da Humanidade”, “existirá algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis(...)?”.

 

Os únicos com anos

Post-scriptum 4 - Quem informado, sabe do peso que o bloquinho fascista, impropriamente denominado “de esquerda”, tem hoje na pseudo-”informação” nacional, também dado o peso que aí ganhou o lóbi das exóticas “causas fracturantes”.

Todos os Partidos políticos têm o seu aniversário.

Mas o único comemorado na comunicação atrevidamente crismada de “social”, é o dessa gente. Como se não bastasse, todos os dias, nos impingirem a boneca má dos filmes de terror sobrenatural!...

 

Vão ver...

Post-scriptum 5 - Este filme das “exigências” dos navios “Aidas”, já o vi antes com outros. Preparem-se para uma chantagenzinha...

 

Agradeçam aos socialistas

Post-scriptum 6 - A “marina do Lugar de Baixo” é a monocórdica côdea de sobrevivência dos indigentes mentais, por cá infelizes no seu ressabiamento contra as 4.980 inaugurações.

A desonestidade deles procura fazer esquecer que a solução posteriormente encontrada para aí, foi impedida no tribunal constitucional por iniciativa dos socialistas.