Exercício físico na terceira idade, uma necessidade

Quanto mais envelhecemos, mais dever temos de nos mexer. Durante toda a vida, para uns mais do que para outros, contrariar a inércia, a desmotivação e contornar as desculpas para não treinar regularmente, não é fácil, o que com a idade a avançar se torna uma realidade ainda mais notada e por outro lado uma necessidade mais necessária.

Naturalmente as limitações físicas vão aparecendo e é nesta altura, à medida que a idade avança, que é ainda mais determinante encontrar os espaços, as ferramentas e os profissionais que ajudem a garantir que os benefícios da actividade física regular são alcançados.

O exercício físico na terceira idade traz benefícios que vão muito além das melhorias funcionais do corpo. Na teoria estes benefícios estão bem descritos e comprovados, mas a minha experiência pessoal, trabalhando com esta população, faz-me crer todos os dias que os mesmos são ainda mais e melhores. Lidar com este nível etário, faz-nos entender, como o movimento produz efeitos substanciais, reduzindo o stress, melhorando a disposição, a qualidade de vida, de locomoção e de saúde.

Por exemplo, no caso de aulas de grupo, as mesmas facilitam a interacção, a socialização e quebram a barreira do isolamento, que é algo que para quem tem menos idade, é profissionalmente e socialmente ativo, parece algo de menor importância, mas que para as pessoas que vivem sós, ou que passam sozinhas a maior parte dos seus dias é determinante. Já é para muitos, difícil lidar com os problemas e com os desafios naturais do envelhecimento, acrescentar a isto, a falta de companhia, a falta de objectivos e de actividades para o dia é mais um problema acrescido.

Vou dar o exemplo da Sr.ª Maria (chamo-lhe Maria, porque quase todas as senhoras duma determinada idade se chama Maria e porque é um nome que tão bem se encaixa no género feminino), uma senhora que há muito ultrapassou a barreira dos 80 anos, uma senhora com uma vida repleta de histórias, de filhos, alegrias e tristezas, que toda a vida foi capaz de cuidar de si, da casa, da família, daquelas senhoras guerreiras e mais fortes que Hércules, mas que com o avançar da idade e ainda que contrariando ao máximo, foi ganhando fortes limitações de locomoção.

Esta senhora vive acompanhada, acompanhada por familiares que a adoram, mas que trabalham e que com as suas rotinas, não podem passar com ela muitas horas do dia, por isso a importância de semanalmente frequentar as suas aulas de ginástica, participar em atividades extra e se manter integrada num grupo, faz com a sua cabeça se mantenha desperta, o corpo ativo e o coração vivo. Estou honestamente em crer, que as nossas aulas e os nossos momentos, contribuem em grande medida, para que a Sr.ª Maria queira continuar a viver.

Tal como esta senhora, muitos outros bons exemplos existem, no entanto, ainda há muitas mais que se deixam ficar em casa e que não procuram, ou que não têm quem as ajude a procurar, espaços especialmente dedicados ao exercício adaptado, ou profissionais da área, que possam com as ferramentas do treino, ajudar a melhorar o dia-a-dia e contribuir para um envelhecimento mais saudável e acima de tudo mais feliz.