#6yearschallenge – a cidade sem Confiança

O #10yearschallenge foi uma daquelas modas das redes sociais que me trouxe alguma nostalgia. A pessoa dá por si a fazer uma viagem ao passado e a pensar o que aconteceu na última década. E entre pensamento aqui e lembrança acolá, cai numa autêntica onda de reflexão interna. Às primeiras rugas juntam-se lembranças boas, umas tantas preocupações, um sem número de sonhos, uma mão cheia de realizações plenas que sobressaem entre perdas e ganhos. Ganhamos anseios, medos, momentos de plena felicidade, outros de pura desilusão… todo um composto para uma vida que se quer equilibrada. Conhecemos novos lugares e há quem, pelo menos nos últimos seis anos, tenha ganho uma cidade diferente. Fui uma dessas contempladas. Eu e mais de 100 mil outras pessoas que escolheram o Funchal para viver, estudar e/ou trabalhar.

É impossível andar no Funchal, hoje, e não perceber, em cada recanto, essa triste Mudança. E para quem, como eu, diariamente, vive e respira este concelho, é por demais evidente que não é motivo de orgulho, nem tão pouco de regozijo, o destino que a ele lhe deram. Uma lastimosa falta de Confiança.

Se antes tínhamos uma cidade limpa e organizada, hoje sabemos que a recolha dos resíduos não é assídua em todos os pontos do concelho e que as nossas ruas estão sujas e desprezadas, com – não raras vezes – lixo amontoado nos caixotes.

Se há alguns anos atrás, o verde era um dos tons do nosso Funchal, hoje muitas das suas árvores foram cruelmente abatidas sem qualquer razão, (ou, como nos explicaram, “abatidas por opção da gestão camarária”), através de ajustes diretos que ascendem a 500 mil euros.

Se antes de 2013, conhecíamos, todos, um Funchal cosmopolita e organizado, nos últimos seis anos vimos germinar um Funchal caótico, à mercê de experiências de mobilidade que revelam uma liderança sem norte, sujeita à irracionalidade do “não se preocupem que pior não fica”.

Se antes tínhamos hortas urbanas, não só bem acolhidas pelos funchalenses, mas, principalmente, muito acarinhadas pelo executivo camarário, hoje assistimos a uma gestão desalinhada que encerra hortas sem ouvir quem de direito e que convoca hortelões para reuniões que não existem, desprezando um projeto de sucesso que tem concedido, ao longo dos anos, um importante apoio à economia familiar.

Se antes tínhamos um Mercado dos Lavradores pleno de vitalidade, ponto de paragem obrigatório para madeirenses e turistas, característico pelos seus cheiros e aromas, hoje, temos um Mercado entristecido e vazio, com comerciantes a lutar diariamente contra a invasão de esplanadas proporcionada por quem gere aquele espaço.

Se antes as zonas altas tinham um Gabinete Técnico, cuja criação remonta a 1995 e que milhares de munícipes auxiliou, hoje as suas portas encontram-se encerradas graças ao desmantelamento desta ferramenta de enorme ajuda às famílias.

Hoje, as perdas de água são enormes, os derrames aguardam dias e dias por intervenções. A rede viária está tristemente mantida, ruas povoadas por crateras.

Ganhamos um nova cidade mas não uma cidade melhor. Viajamos por um Funchal que queríamos dos tempos modernos, parado no tempo, vítima de um show off vil e egoísta que acalenta egos mas não os munícipes que precisam de uma verdadeira ação por uma cidade de futuro. Refletimos e o #6yearchallenge é um exercício de tristeza para aqueles que amam esta cidade.

Esta não é a cidade onde crescemos. Não é a cidade que queremos. Nem tão pouco, deixaremos que este triste exemplo se apodere da Região onde vivemos. Todos queremos mais, todos sabemos quem pode fazer melhor.