Falsos Europeístas

Da esquerda (excluindo os extremos antidemocráticos do PCP e do BE) à direita (PS, PSD e CDS-PP), todos os partidos históricos portugueses dizem-se ser Europeístas. Porém tal afirmação não poderia estar mais longe da realidade.

Se passarmos pelas páginas de internet, principal veículo de informação da era digital, dos partidos políticos portugueses acima mencionamos é possível constatar como os mesmos ignoram uma parte cada vez mais importante do eleitorado português, os cidadãos europeus residentes em Portugal.

O Tratado da União Europeia, especifica que aos cidadãos Europeus residentes noutro Estado-Membro que não aquele da sua nacionalidade são garantidos os seguintes direitos: votar e/ou ser candidato ao Parlamento Europeu pelo seu Estado de residência; e votar/ou ser candidato na eleições municipais do seu Estado de residência em igualdade de condições que os nacionais desse

mesmo Estado.

Posto isto ficam as perguntas aos partidos fundadores da Democracia portuguesa pós-Abrilista: Porque razão nenhum dos seus sites está em inglês ou outra língua de UE que permita aos cidadãos Europeus perceber as suas propostas para o país e para a Europa? Porque razão os partidos portugueses teimam em não interagir com os cidadãos Europeus residentes em Portugal, encarando-os como meras fontes de receita fiscal? Porque razão não existe uma maior integração dos mesmos nas listas eleitorais propostas pelos partidos?

Ignorar os direitos de voto e de candidatura dos cidadãos Europeus em território nacional é ignorar não só a sua contribuição para a economia e receita fiscal do país, mas é também desperdiçar importantes pontos de vista sobre a sociedade portuguesa e daquilo que melhor poderia ser feito. A fim e ao cabo os partidos portugueses continuam com a mesma tática empregue desde o 25 de Abril de 1974, captar o máximo de eleitores, ignorar o input de quem encara Portugal com olhos não portugueses, tudo sob o pretexto inconsciente e irracional, mas sempre presente, de que “o que vem de fora é melhor e consequentemente pode pôr em causa a sobrevivência do político profissional português”.

Esta atitude política dos quadros partidários, que se vem acumulando desde 1992, revela também o quão falso é o sentimento Europeu nos partidos portugueses. A União Europeia continua a ser encarada como um destino de viagem sem a burocracia dos passaportes, uma alavanca para a economia europeia e uma fonte de receita (paga por outros cidadãos Europeus) que compensa a falta de capacidade de gestão orçamental do típico político português.

Esquecer os verdadeiros valores subjacentes à cidadania Europeia é manchar o legado de várias gerações de políticos Europeus e Europeístas que queriam tornar a Europa numa só nação.