O regresso dos mortos-vivos

Quem tem filhos jovens adolescentes, sabe que as séries televisivas que atualmente acompanham, andam à volta da temática dos vampiros, dos mortos-vivos dos zombies. Séries negras, pesadas, com muita ficção.

Recentemente, na reunião magna do partido que (ainda) está à frente dos destinos da região, o cenário terá sido semelhante. Obscuro, negro, o regresso dos mortos-vivos. Poderia ser pura ficção, mas não, é mesmo verdade.

Albuquerque, líder reeleito, supostamente seria a figura principal nesse cenário, só que os holofotes caíram em cima de quem já nada manda, de quem foi corrido, quase saneado.

Dada a estratégia, os aplausos de uma plateia curvada perante o passado, confirmavam o saudosismo do protagonismo de outrora onde a prepotência e único saber imperavam.

Eles andam aí, ressuscitados e alucinados tentam assombrar. O regresso ao passado é o assumir da incompetência, há muito evidente. Regresso desejado? Ou desesperado?

Num janeiro horrível para o laranjal, as contradições foram-se acumulando, num misto de arrogância com desespero de um governo errante.

Foi o empurrar de culpas pela inexistência de um ferry, meses após estarem espalhados cartazes pela região, afirmando que cumpriram. Um subsídio de mobilidade para os estudantes que afinal tinha erros, colocando a região em risco de perder dinheiros da república pela sua incompetência grosseira. É o reconhecimento de um presidente de um país, quando não temos qualquer competência para tal (patético). É um hospital que não funciona, é um secretário da saúde que vê retirarem-lhe competências, para quem tem ainda menos competência que ele, coitado.

É o desespero, tudo vale. E, julgam eles, que quem grita mais alto, torna-se dono da razão. Julgam que a arrogância, a soberba é suficiente para intimidar os mais incautos.

Desesperados, na Assembleia Regional, o chorrilho de asneiras é ainda maior. Calado afirma que é preciso “evitar que entre na Madeira a máfia rosa” A máfia rosa? A quem se refere? Olhou para o seu partido através de um filtro que muda as cores? Onde tem andado a máfia estes anos todos? Assumem que o governo põe e dispões das verbas da UE conforme lhe apetece. Equidade, rigor e transparência, é algo que não lhes ocorre.

O morto-vivo anda aí, Albuquerque treme.

Treme perante o cenário de horror que se apresenta à sua frente. O poder poderá mudar de mãos, a máquina começa a ranger, enferrujada pelas caras do passado, pelas caras que nada de novo apresentam, nem o povo representam, além dos vícios de um triste passado recente, perante 600 anos de história.

600 Anos, fará com que os últimos 40 sejam apenas uma nota de rodapé. Passamos do período dos senhores e dos colonos, do sistema colonialista, para os senhores do poder centralizador do governo. O período daqueles que se julgavam escolhidos, os privilegiados, únicos capazes, perante um povo igualmente oprimido.

Deixemos os Zombies a vaguear por aí, comecemos um novo período, sem a escuridão assustadora daqueles que diariamente ferravam os dentes num povo de sangue doce.