Pseudoterapias: uma ameaça à liberdade e à saúde pública

“A felicidade é a sua escolha”, “descubra a essência do ser”, “conheça a sua verdadeira personalidade”, “experimente esta terapia revolucionária”, “conheça a solução para ser a melhor mãe”, “identifique a energia oculta que influencia a sua vida”... No nosso dia-a-dia, vemos uma oferta muito ampla de intervenções que se propõem resolver um rol de dificuldades que as pessoas podem ter na sua vida. Por se apresentarem como panaceias e recorrendo a uma linguagem comercial e até mística, são frequentemente atrativas. Contudo, a simplicidade da mensagem e as suas aparentes boas intenções escondem algo que poderá corresponder a uma ameaça à saúde pública.

A realidade ao longo da nossa vida é cada vez mais exigente e necessitamos de recursos para lidar com ela. Isto frequentemente significa procurar intervenções especializadas ou oportunidades de autoconhecimento e desenvolvimento de competências. Mas quando o fazemos, convém avaliar e saber a qualidade e a eficácia do que estamos a “comprar”- o facto de alguma coisa apresentar uma certa lógica não significa que seja verdade ou esteja demonstrado. Infelizmente, o espaço público está repleto de ofertas de “terapias”, workshops, métodos e outras intervenções que não têm fundamentação, validade ou demonstração científica de eficácia. Correspondem por isso a pseudoterapias, normalmente dinamizadas por agentes sem qualificação profissional adequada, e muito problemáticas para a saúde dos clientes, que já se encontram em situação de vulnerabilidade psicológica, a qual poderá ser acentuada por estas intervenções. Em muitos casos, qualquer efeito obtido corresponde apenas a um placebo - se eu quiser acreditar que determinada coisa resulta, então é possível que me convença que houve um resultado.

Felizmente que todos somos livres de escolher o que pretendemos para nós. Mas no que se refere à mudança do comportamento, às perturbações psicológicas e aos processos de desenvolvimento pessoal e construção da identidade, é de desconfiar de soluções fáceis para problemas complexos e associadas a ausência de qualificação profissional. No caso da avaliação e intervenção psicológica, esta somente pode ser levada a cabo por profissionais que têm as suas técnicas descritas e que estão vinculados a um Código Deontológico.Sabemos que, quando algo é demasiado bom para ser verdade, então é mesmo demasiado bom para ser verdade! Como comunidade, devemos estar atentos e conscientes dos efeitos nefastos de pseudoterapias e pseudoestratégias de intervenção que são vendidas no espaço público.