9A4M2D - três perguntas

Há quase trinta anos fiz a opção de vir trabalhar para a RAM apesar de ser natural do continente.

Considero-me e consideram-me já madeirense. Tenho a certeza de ter feito uma boa opção para a carreira e para a vida. Ao longo dos anos foi-me dada a oportunidade de lecionar em algumas escolas e participar em projetos de inovação pedagógica que me permitiram uma enorme realização profissional. Todavia os sucessivos congelamentos da carreira, impostos pelos Governos da República, deixaram-me muitas vezes a dúvida: valerão o esforço e empenho alguma coisa?

Restava, pois, a satisfação de ver a Madeira ser pioneira no setor da Educação. Foi assim que surgiu o modelo de Educação Especial, de Desporto Escolar, de Escola a Tempo Inteiro, de introdução do Inglês no primeiro ciclo e de integração das novas tecnologias nas práticas letivas. É-o presentemente na valorização dos profissionais de Educação.

Agora que está concretizada a recuperação integral do tempo de serviço assolam-me, no entanto, algumas dúvidas relativamente ao posicionamento de alguns “players” políticos da nossa terra. Deixo-lhes, pois, neste espaço três perguntas para as quais gostaria de ser elucidado.

Aos dirigentes do SPM: se a vossa proposta inicial era de recuperação total e imediata do tempo de serviço efetivamente prestado, se a alternativa apresentada foi de recuperação em quatro anos, como podem considerar uma vitória da vossa lavra a recuperação em sete anos proposta desde início pela tutela? E, já agora, o que disseram na Fenprof, para que Mário Nogueira ande a apresentar a solução da Madeira como boa para os professores do resto do país?

Ao porta-voz da Educação nos Estados Gerais do PS-M, colega Rui Caetano: este assunto da recuperação integral do tempo de serviço dos professores é tabu? Não há nada a dizer sobre esta matéria? Estão a favor? Estão contra? É que tem havido declarações diversas sobre Educação, mas sobre este assunto ... zero! Em suma, organizar o ano letivo em dois semestres, como já foi experimentado este ano no Continente, é mais importante que respeitar e dignificar os professores?

Aos presidentes das câmaras municipais do Funchal e do Porto Moniz: se os vossos planos de mudança de local de exercício do poder baterem certos, vão entender-se com o Governo da República nesta matéria? Esse entendimento pode significar voltar atrás com a medida do Governo Regional que recupera integralmente o tempo de serviço cumprido pelos professores? Ora se do Porto Moniz ainda se entende o silêncio, já do Funchal, a voz de um professor e ex-dirigente sindical manter-se queda e muda, não augura nada de bom ...