2020 vs. Eleitoralismo

O ciclo eleitoral de 2019 está à porta e enquanto os partidos se digladiam inconsequentemente pelos votos dos contribuintes portugueses, o Banco Central Europeu (BCE) já está avisar os cidadãos europeus que uma nova crise financeira e recessão económica estão a caminho: “olhando para o futuro, a atividade económica global deverá desacelerar em 2019 e permanecer nesse curso a partir de então”.

Ou seja, a UE vivenciará um crescimento mais lento devido ao aperto da política monetária e aos atritos comerciais internacionais, em parte provocados pela incompetente administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, e dos seus correligionários no seio do Partido Republicano. Além disso, a persecução de políticas populistas em países como a Itália poderão levar a uma dinâmica de dívida insustentável dentro da Zona Euro.

É certo que estão criadas as condições para que a Crise Financeira de 2020 venha mesmo a ocorrer, entre elas: as já mencionadas disputas comerciais entre administração Trump e a República Popular da China (RPC), a União Europeia (UE), os Estados Unidos Mexicanos, e o Canadá; o facto da RPC necessitar de desacelerar o seu crescimento, se necessário por decisão central da administração de Xi Jinping para lidar com excesso de produção e alavancagem excessiva; e o problema, não resolvido, entre governos e bancos que possuem dívida pública e que amplificará os problemas existenciais de uma união monetária incompleta e com uma partilha de risco inadequada.

Por outras palavras, se nada for feito, e se nós eleitores formos atrás das miragens e oásis propagandistas que certos e determinados partidos nos querem fazer vender, nomeadamente recorrendo a um aumento da dívida pública, corremos o risco de assistirmos a uma “zumbificação” da economia combinada com estagnação da economia global. Esta estagnação pode muito bem ocorrer por via da diminuição dos preços dos ativos como consequência de uma reavaliação forçada da dívida soberana.

A verificar-se este marasmo económico haverá um agravamento da carga fiscal para pagar os juros da dívida, recessão económica e desemprego. Esta crise poderá ser mais catastrófica, quando comparada com a de 2007, se a ela se juntarem conflitos militares com a República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte) ou com a República Islâmica do Irão.

Urge por isso consciencializarmos que a próxima solução política que teremos que escolher, já neste ano eleitoral, para a União Europeia, para o país e para a Região Autónoma da Madeira, tem que ser uma solução que defenda: uma verdadeira reforma da união monetária a qual permita a realização plena da mesma; uma reforma fiscal e estrutural do Código Fiscal português com vista ao fomento dos serviços transácionáveis; e a manutenção do Centro Internacional de Negócios associado à criação de um regime fiscal regional como almofada de garante contra a crise financeira e económica que irá provavelmente assolar a Região já em 2020.