Obviamente...demita-se!

Nos últimos dias tem marcado a agenda regional a problemática de um grupo de pastores, a quem a Câmara do Funchal permitiu a utilização do Parque Ecológico do Funchal como pasto. Além da questão do bom senso, é o próprio Plano de Gestão Florestal do Parque Ecológico do Funchal que não o permite. Um documento da autoria política da Vereadora Idalina Perestrelo.

Não parece aceitável que seja um subordinado desta, perante o silêncio da mesma, a autorizar a apascentação. Que iria para a frente se não tivesse existido uma forte pressão pública contrária ao desiderato.

Também será inédito um Director de Departamento, neste caso o de Ciência e Recursos Naturais, a dar entrevistas públicas sobre decisões de grande delicadeza política e, pelos visto, a assumir comunicados subsequentes. Naturalmente que este estará respaldado por alguém superior, que só pode ser o próprio Presidente da Câmara, Paulo Cafôfo.

A Vereadora, quer pelo Pleno de Gestão que concebeu, quer pelas coerentes posições que sempre tomou, em sintonia com o que todos os especialistas defendem, não pode pactuar com a utilização desregulada das nossas serras como locais de pasto. E continua a fazer-me confusão a insistencia, quase obcessão, de alguns em levar o gado para a Serra com tanto terrenos cheio de mato a precisar de ser desgastado, para aliviar inclusive os proprietários, por essa ilha a fora. Conheço jovens que nos últimos anos encontraram na criação de gado o seu sustento familiar, mas não lhe passa pela cabeça leva-lo para as serras. Concertam com proprietários de terrenos sem utilização económica, expostos a todo o tipo de espécie infestantes, a sua “limpeza”. Mas se um subordinado da vereadora, com o beneplácito do líder da autarquia, decide fazer um frete a grupo de parceiros eleitorais que não representam os pastores, como pretendem fazer querer, o que já foi esclarecido pela Associação de Criadores do Poiso, contrariando a essência da sua posição na matéria, o que resta a Idalina?

Se analisarmos bem, e perante os seus silêncios, é o próprio Cafôfo que parece estar a empurrar a incómoda Idalina para fora da Autarquia. Incómoda porque a decisões da Câmara contrariam o passado ambientalista da vereadora, de que serve de exemplo o apocalipse das Árvores no Bom Jesus e, pela calada, dos Viveiros, e incómoda pela acusação que pende sobre si relativamente ao caso da queda da árvore no Monte. Com o afastamento de Idalina, Cafôfo estaria a afastar da autarquia o último ónus político sobre esta tragédia. Isto se a instrução não o trouxer de novo para a berlinda, e se a investigação de alegada sonegação de provas tiver “pernas para andar”. E a própria vereadora não pode transmitir a impressão que está agarrada ao lugar como forma de beneficiar de um “escudo institucional” face às acusações que pendem sobre si.

Não haja dúvidas, Idalina é um empecilho para Cafôfo. Tal como já foram Gil Canha, Filipa Jardim Fernandes ou Domingos Rodrigues. Para falar dos que realmente criavam obstáculos ao “ Masterplan”.

Concomitante a este caso é também o facto de Idalina, nos elementos que o JM trouxe a lume sobre o seu pedido de instrução, tenha considerado como “curioso” o facto do já referido director de Ddepartamento ter sido o único da cadeia hierárquica a ficar de fora da investigação à tragédia. Bem como o facto do também acusado Chefe de Divisão, Francisco Andrade, ter lembrado no seu depoimento que tinha uma hierarquia, onde se inclui o dito Diretor. Da parte de Cafôfo já se percebeu que o tal director tem as “ costas quentes”. Quando a Idalina parece-me que só lhe resta fazer a vontade ao seu líder e... demitir -se.