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Pelo segundo ano consecutivo, o melhor número de nascimentos em Santana. Se pudesse pedir um desejo para o meu concelho seria que invés de demorarmos dois anos a “repor” os que infelizmente partem, conseguíssemos num ano superar o saldo natural negativo.

Apesar da melhoria dos dois últimos anos, com por exemplo, Santana a ser em 2017 o concelho da Madeira onde o número médio de filhos por mulher mais subiu, a verdade é que os números continuam a ser desanimadores. Se olharmos para os números disponíveis de 2017 em relação a São Vicente - 29 nascimentos, Porto Moniz - 11 nascimentos e Porto Santo - 37 nascimentos, concluímos que são ainda mais desanimadores, mesmo atendendo à proporcionalidade de habitantes por concelho. Só Câmara de Lobos e Santa Cruz apresentavam saldos naturais positivos, ou seja, só nestes concelhos nasceram mais do que morreram.

É um desafio enorme por ventura até inultrapassável para esta geração política inverter este flagelo demográfico com implicações em tudo, de resto é de pessoas que vive a polis, são as pessoas a maior riqueza, os melhores ativos da sociedade. É com população ativa que se garante também a sustentabilidade do tal Estado Social, garante da dignidade daqueles que fruto da idade esperam pelas suas pensões como auxílio de uma velhice minimamente confortável.

Se inverter o cenário da baixa natalidade é complicado, menos complicado será apostar claramente no estancar da hemorragia, o primeiro passo para não deixar piorar o estado débil em que já nos encontramos é a criação de emprego. É a única forma de não deixar sair para a emigração os mais jovens e portanto em idades de constituírem famílias, é também o passo certo para almejarmos ver o regresso à Madeira de imensos jovens que não hesitariam em voltar se por cá encontrassem sustento. Custa ouvir muitos deles dizerem – Se encontrasse trabalho por cá, preferia ganhar menos mas estar na minha terra.

Em Santana não é diferente, a maioria dos que cá estão, não tenho dúvidas que gostam da sua terra, os muitos que emigraram, não tenho dúvidas que encontrando meios de vida seria por cá que desejariam andar, viver e criar os seus filhos. Invés de 42 nascimentos teríamos o dobro, o mesmo aconteceria nos restantes concelhos.

Mas se não há milagres nem mundos ideais, na prática e a curto prazo o que é possível fazer? Este ano será muito importante no que ao trabalho diz respeito, como é do conhecimento público a câmara de Santana abrirá procedimentos concursais para a admissão de trabalhadores que tanto precisamos para atender às necessidades do nosso concelho e melhor servir a população. Esqueçam aqueles que pensam como alguns que nos interpelam na rua, que vir trabalhar para a câmara é uma espécie de pré-reforma ou um “biscate” das nove às cinco, ou como alguns têm o desplante de dizer – Já não posso trabalhar muito, um trabalhinho na câmara é que era! Esqueçam isto. Se pudermos com vinte ou trinta postos de trabalho admitir jovens ou pessoas disponíveis e trabalhadoras que cumpram os critérios legais impostos pelo concurso é isso que faremos.

Esqueçam também aqueles que acham que a função pública é o remédio de todos os males do desemprego. O sector privado é muito mais importante a este nível, veja-se por exemplo as centenas de vagas para a hotelaria agora disponíveis na Madeira e que pelos vistos estão difíceis de preencher. Veja-se por exemplo os investimentos que estão na calha, e aqui entram câmaras e governo com responsabilidades de fiscalização, licenciamento e libertação de apoios comunitários assim como com responsabilidades enormes do ponto de vista dos ordenamentos dos territórios - os planos diretores municipais - foi isso que fizemos no Arco de São Jorge com investimento já sentido no terreno e com a criação de empregos a acontecer.

Nas restantes vertentes acessórias a toda esta conjuntura, fomos a primeira câmara a atribuir o subsídio à natalidade (única) no valor de 100€/mês durante três anos, pagamos metade do valor das creches, atribuímos valores monetários para a compra de manuais e materiais escolares. Se não for possível reverter esta situação, pelo menos não a queremos deixar igual ou pior.