2019: É agora!

Desde que assumi a liderança do PS, liderando um projeto franco, sem truques na manga, com Paulo Cafôfo como candidato a Presidente do Governo Regional, choveram as críticas de quem se sentiu ameaçado por uma alternativa credível e sólida.

Passado quase um ano da minha eleição, continua o disco riscado com a canção da “liderança bicéfala” e de tanto repetirem a mesma cantilena, confesso que deixei a minha inicial indiferença e passei a achar-lhe graça, principalmente pelo facto dessa apregoada bicefalia poder servir de mote para pensarmos quantas cabeças tem a liderança do PSD-Madeira.

Analisando a atuação de quem nos governa com desgoverno, lembrei-me de Cérbero, um cão monstruoso, figura da mitologia grega, de várias cabeças, cuja principal função era a de prevenir a saída dos mortos e entrada de vivos numa espécie de submundo.

Cérbero e o PSD-Madeira estão um para o outro numa analogia quase perfeita. Se não, vejamos:

- Relativamente a Cérbero, filósofos e pensadores nunca mostraram consenso relativamente ao número de cabeças desta figura monstruosa, sabendo-se apenas que seriam muitas. Tanto a falta de número preciso, como a certeza da numerosidade encaixam na perfeição no que ao PSD-Madeira se refere. A situação é de tal modo evidente que a ela se adequa perfeitamente o sábio provérbio “Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao vizinho”.

- Quanto à função, parece mais do que óbvio que as semelhanças são avassaladoras. Tal como Cérbero, o PSD-Madeira luta a todo custo para manter-se no governo, numa atuação moribunda e agonizante. Cérbero impedia a entrada dos vivos, da mesma forma que o PSD-Madeira receia que a Madeira seja governada por pessoas competentes, ávidas de servir e trabalhar pela população.

- Segundo os pensadores, apesar de se julgar que Cérbero era um ser imortal, acabou por ser derrotado por Hércules, algo que se espera venha também a suceder com o PSD-Madeira que, diga-se em abono da verdade, em tempos idos, mais do que agora, se julgou detentor do dom da imortalidade.

- As forças da figura monstruosa do PSD-Madeira estão a ser colocadas à prova ao ponto desta, em desespero de causa, usar a estratégia de enveredar pelo caminho da cópia e imitação de executivos socialistas. O que até há bem pouco tempo era apelidado de despesismo e populismo agora é apregoado como um conjunto de medidas estruturantes de apoio à população.

- Cafôfo ainda não venceu as eleições e é óbvio que a sua candidatura já veio trazer uma lufada de ar fresco à sociedade madeirense que já sente, inclusivamente, nos orçamentos familiares, as vantagens de um projeto que está a abalar vícios instalados há décadas. A população madeirense já colhe frutos da apregoada bicefalia.

- Os guardiões acérrimos do poder pelo poder sentem-se ameaçados e disparam em todas as direções, mas os madeirenses estão atentos e não se deixarão convencer com medidas de “última da hora” que se pressentem efémeras e de clara caça ao voto.

- A missão desta liderança bicéfala, poderá ter o seu quê de hercúlea, mas vislumbra-se cada vez mais possível, credível e alcançável. O que dá alento e força a uns amedronta e preocupa outros.

Não valerá a pena o PSD-Madeira continuar a assumir a postura de Cérbero até porque a Região Autónoma da Madeira não se assemelha ao submundo cujas portas eram guardadas pela figura mitológica.

A Madeira é uma região brindada pelas belezas naturais, construída por gente que trabalha pelo que quer e que escolhe quem entra e sai pelas suas portas.

Governar a Madeira é mais do que contar e fazer rolar cabeças. Os madeirenses irão mostrar que querem ser governados por alguém que dê valor às ideias de todos e não sufoque a democracia com as ideias de um, dois ou três. Os madeirenses irão mostrar que querem ser governados por alguém que conte com todos e esteja ao lado de cada um e nada nos demoverá de contribuirmos para que isso suceda.

Não nos interessa nada que continuem a contar para tentarem perceber quantos somos. Os madeirenses já perceberam que contam connosco e que nós contamos com todos.

Começamos 2019 focados nos objetivos que traçamos e já no próximo dia 12 participaremos ativamente na II Convenção dos Estados Gerais, onde haverá lugar para o diálogo e debate de ideias. De todos.

Um excelente ano 2019.