Atenuar factores negativos

O ano de 2018 a nível nacional fecha com a revisão do Banco de Portugal, do crescimento para 2019 de 2,1% para 1,8% contrário ao estimado no orçamento aprovado na Assembleia da República para 2019 de 2,1%.

Esta revisão irá afetar com toda a certeza, aquela que será a política orçamental expansionista em ambiente eleitoral, com o aumento mais que provável da ferramenta utilizada em orçamentos anteriores das cativações. A manutenção de uma dívida elevada, não obstante o pagamento da última tranche do empréstimo do Fundo Monetário Internacional, traz para o início do ano de 2019 uma crescente preocupação de como este irá decorrer.

A nível regional, não obstante todos os desafios que estão a ser lançados na economia, nomeadamente, a redução de receitas fiscais via o Centro Internacional de Negócios, o regresso massivo e contínuo de nossos conterrâneos da Venezuela e seus descendentes, a Região tem mantido a capacidade através da economia em dar emprego e manter apoios sociais, num ambiente restritivo orçamental, possibilitando ainda assim redução contínua da dívida desde 2012.

O turismo tem sido um dos principais motores da economia nos últimos anos, nos quais batemos recordes de número de Hospedes e Dormidas, conseguindo ao mesmo tempo aumentar o REVPar.

Apesar das falências de companhias aéreas e o ressurgimento dos países norte-africanos no contexto do turismo internacional, a Madeira tem sabido atenuar estes factores negativos.

De referir, que 2018, também traz bons ventos e boas energias para o ano que se avizinha. A Madeira aumentou para 31,4% a produção de energias renováveis, o que se traduz numa menor dependência da fonte térmica e redução do custo energético.

Pelo lado negativo, a Madeira tem mantido um saldo natural negativo desde 2009, o qual traduz-se um menor número de nascimentos ao longo dos últimos anos, versus o número de mortes, o qual reflete-se numa continua redução de habitantes e num desafio futuro para a sustentabilidade social e de crescimento regional sustentado. Em 6 anos o ensino perdeu cerca de 7.000 estudantes e estima-se que esta tendência se mantenha nos próximos anos.

Espera-se já em 2019, que novas políticas sociais que promovam a inversão deste ciclo sejam levadas a efeito, com os focos simultâneo para a fixação de população e dinamização do mercado da educação e formação. Esta dinamização é crucial para que a Madeira possa crescer em termos do número de empresas e simultaneamente na qualidade dos quadros das empresas, que atuam a nível global e que aproveitem aquilo que é uma tendência a nível económico.

Em termos internacionais, o agudizar do conflito comercial EUA-China, a indefinição do BREXIT e o alerta do Banco Central Europeu para a possibilidade de subida das taxas de juro já em 2019, trazem desafios acrescidos ao que se espera de um ano a todos níveis de decisões e afirmação de politicas económicas menos restritivas, mas, contudo, conscientes do que foram os anos de crise.

C’est la vie...Vamos viver.

*coordenador dos TSD - Secção de Gestores e Economistas