Tolerâncias para 2019

Bom dia, boa tarde ou boa noite, dependendo da hora e local onde o leitor esteja. Já algum tempo que não escrevia para as páginas do JM-Madeira, foi a sorte, ou azar, de as últimas terças-feiras terem caído no dia de Natal e no primeiro dia do ano, posto isto o rapaz minimamente sexy, com sorriso maroto e foto desatualizada do canto esquerdo vem desejar a todos os leitores um bom ano de 2019.

Passado a parte estranha e inútil do assunto passemos ao que importa, ou nem por isso...

Manuel Luís Goucha, reputado jornalista, perdão chefe de cozinha, desculpem lá que não está fácil de acertar, é capaz de ser alguma ferrugem, apresentador de um programa matinal em que não se aprende nada, agora sim, está correto, teve como tema do mesmo “Precisamos de um novo Salazar?”. Não sei se o intuito do programa era se já podemos usar o nome Salazar, ao fim e ao cabo existem uns quantos nomes que ficaram manchados pela história em virtude de histórias menos felizes e agora são praticamente impossíveis de os usar. Por exemplo, Judas, não conhecemos ninguém chamado Judas desde que alguém deu um beijo não homossexual na cara de outro, também Adolfo caiu em desuso desde de meados do século passado por causa do aumento do gás, Stalin também não é muito bem aceite e não iremos sequer falar de Lúcifer. Mas afinal com tanto zumbido que ouvi percebi que o programa era mesmo se precisávamos de alguém como Salazar, o Oliveira... Eu que sou ingénuo e nasci 10 anos após o 25 de abril, sabem aquele feriado que acontece no final do quarto mês tem algum significado, pensava que isso era uma questão que só se colocava no meio dos simpatizantes da PIDE, e do próprio Drº Salazar, nunca pensei que a mesma fosse feita num programa matinal de uma das maiores estações televisivas do país.

​A cereja no topo do bolo que é o mundo das aberrações da TVI, foi a entrevista a Mário Machado, perdão Drº Mário Machado, que para quem não sabe ou finge-se desatento foi condenado por, aqui entra o verdadeiro currículo, discriminação racial, sequestro, coação agravada, posso ilegal de armas, ofensa à integridade física qualificada, tentativa de extorsão... Esteve ligado ao grupo terrorista, aqui está como a palavra terrorista também serve para qualificar outros grupos sem ser islâmicos, Hammerskins. A entrevista decorreu no segmento “Diga de Sua (In)Justiça”, para ser sincero não percebo qual seria a injustiça ou justiça que o senhor poderia falar, da autoria de um indivíduo de nome Bruno Caetano que veio defender que “todas as ideias podem ser discutidas na televisão”, argumento, este, que também foi usado por todos os pseudo-defensores da liberdade de expressão e tolerância.

Eu, leitor que segue atentamente as crónicas já percebeu que sou libertino e meio anárquico, sigo o paradoxo de Popper à risca, defendo a tolerância se a mesma não levar à intolerância, caso contrário defendo a intolerância, por isso dispenso tentativas de branqueamento de
ditadores.