Novos ventos

Cantam-se os Reis, as festas findam, o ano começa a ganhar força. Janeiro é o mês das mudanças pessoais, do teste ao cumprimento das promessas de ano novo. 

O mês dos “tesos”, mas ao mesmo tempo o mês da nova esperança numa vida melhor. 2019 será um ano desafiador, muito trabalho pela frente, com o otimismo presente numa mudança positiva. É esse um dos meus desejos para este ano.

Desde a fundação da nossa autonomia há 42 anos atrás, temos sido sempre governados pelo regime laranja. Primeiro sob os músculos de Jardim e mais recentemente pela incompetência de Albuquerque. Não há desculpas para o que de mal se passa, para o que não foi feito e muito menos para o que foi mal feito.

Nestes 42 anos, o inimigo externo foi uma constante, tentando assim empurrar responsabilidades próprias para cima de outros. Chega. Assumam de uma vez por todas a sua incompetência.

Ainda esta semana, o facebook relembrou-me uma entrevista do anterior Secretário que tutelava os transportes, onde dizia que o subsídio de mobilidade “é uma medida extraordinária que este governo tomou”. Hoje, perante o fracasso desse modelo, que teve o dom de fazer crescer loucamente o preço das viagens, apontam a república como responsável por esse desaire!

Não há desculpas. Não há desculpas pelo mau estado da saúde, pelo fracasso do sistema de educação, pelo maior desemprego do país e pela precariedade ao nível de emprego. Não há desculpas pelo degradar da nossa agricultura e dos nossos agricultores, assim como não há desculpas pela fragilidade do motor da nossa economia, o turismo, sempre dependente das conjunturas externas, sem conseguir resistir às adversidades das economias mundiais.

Poucos sítios no mundo, sejam regiões ou países, tiveram tanto tempo com os mesmos governantes no poder, num sistema democrático e em franco crescimento proporcionado pela entrada na CEE ou pelo próprio desenvolvimento do país. Tiveram tudo para fazer da nossa região um exemplo. Seja ao nível económico, social, educacional, em suma, em todas as áreas.

Falharam. Chegou a vez de outros fazerem melhor. O atual sistema está gasto, sem ideias, decadente.

Por isso 2019 será o ano da mudança positiva, da esperança. É preciso criar um novo modelo de governação centrado nas pessoas, é preciso uma nova abordagem à economia, criar modelos sustentáveis, mais capazes.

Com os Estados Gerais, o PS está a preparar o futuro, a ouvir a sociedade. Ouvir os nossos especialistas, procurar outros modelos, procurar outros bons exemplos que tão bem resultaram em regiões semelhantes. É preciso abandonarmos a ideia do inimigo externo e pensarmos no que de bom podemos aprender com o exterior. Não é vergonha nenhuma olhar para fora, mas sim um sinal de maturidade política. Humilhante é governar uma região durante tantos anos e deixar um rasto de pobreza e de setores deficitários. Humilhante é ainda andarmos de mão estendida a pedir dinheiro a quem diariamente tentamos humilhar.

Dentro de meses a região conhecerá novos ventos, com competência, corrigindo assim o rumo da nossa história.