A Dança na Madeira, no âmbito educativo

A propósito do espectáculo realizado, recentemente, pela Escola de Dança do Funchal, com duas companhias, o Quorum Ballet e o ANIMAballet, decidi escrever este artigo, como incentivo a todas as crianças e jovens talentosas, que queiram dedicar-se à prática da dança clássica e contemporânea.

A realidade actual na Madeira é verdadeiramente animadora. Ora vejamos: O Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira, que iniciou o curso profissional de dança contemporânea no ano de 2000, conta actualmente com 26 alunos (apenas 2 rapazes), a frequentarem os três anos de curso. Pelo curso já passaram 96 alunos (21 rapazes e 75 raparigas). Destes, 19 seguiram estudos superiores em Portugal e no estrangeiro. O curso já apresentou 32 espetáculos.

A Escola de Dança do Funchal, fundada em 2006, oferecendo os cursos livres de dança e canto, como actividade extracurricular, conta actualmente com 150 alunos, dos quais 51 no Curso Básico e Secundário de Dança (apenas 6 rapazes) e cerca de 100 alunos nos Cursos Livres (apenas 2 rapazes). Conta com uma aluna que integrou a Quorum Ballet - companhia de dança profissional em Lisboa; outra que está a estudar dança na Holanda e dois alunos a estudarem na Escola Superior de Dança de Lisboa. A Escola já montou 7 espetáculos, na sua maioria musicais infanto- juvenis e 6 com a ANIMAballet - Companhia Jovem.

A Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia iniciou em 1999 a dança como actividade extra-escolar, sendo que actualmente conta com 123 alunos, maioritariamente raparigas. Pelo curso já passaram muitas centenas de alunos. Dois seguiram o ensino superior em dança. Esta actividade apresentou 49 espetáculos nos últimos quatro anos.

No entanto, na base de todo este sucesso estão as escolas do ensino genérico onde, desde o ano de 1995, se iniciou a modalidade de dança. Hoje esta modalidade no 1.º Ciclo do ensino básico conta com 1.283 alunos, distribuídos por 71 grupos em 32 escolas e no 2.º e 3.º ciclo e secundário, 221 alunos, distribuídos por 15 grupos em 14 escolas, sendo que a maioria são raparigas.

Se repararmos, o número mais significativo de praticantes é do sexo feminino, isto devido ao preconceito de que certas actividades artísticas, como é o canto e a dança, são para “meninas”. Nada mais errado. Então, por analogia, o desporto deveria ser para “rapazes”? Apesar deste padrão estar em mudança, há ainda que sensibilizar os pais e encarregados de educação de que as ARTES são para ambos os sexos.

Há aqui que deixar um elogio às instituições que, ao longo dos últimos anos, vêm trabalhando de forma persistente e dedicada em prol do desenvolvimento da dança, no âmbito educativo.