Cimeira de Katowice e o futuro do Planeta

O problema pior que as gerações mais jovens, mas também as mais velhas, terão de enfrentar é mesmo o das alterações climáticas.

Até 14 de dezembro, em Katowice, na Polónia, continuarão a ser discutidas questões relacionadas com as ameaças ambientais e com o seu impacto no meio ambiente. Quem está atualmente a exercer cargos políticos tem mesmo de se envolver nesta luta, de forma comprometida e sistemática, chamando a esta ação toda a população. Por isso, aqui estou eu, vereadora com o pelouro da educação, a envolver-me nesta área. Estranho? Penso que não. Estas matérias dizem respeito a todos e todas nós.

Numa ilha, sofremos mais as consequências das alterações climáticas do que em territórios continentais. Necessitamos que a população esteja consciente e ativa, que compreenda estes riscos e que colabore com o poder político para se cumprir o Acordo de Paris, as conclusões e medidas que saírem de Katowice 2018 ou as de outras cimeiras internacionais sobre estes assuntos. Porque esta luta só pode ser levada a cabo com a ação sistemática e intencional, individual e coletiva, a nível local e internacional. Com desinteresse e inércia, tanto as empresas, como a economia ou a agricultura serão afetados irremediavelmente, com consequências nefastas para as populações de todo o mundo. Temos de nos empenhar todos nesta luta pelo Planeta Terra.

Se repararmos, algumas das temáticas que estão no centro da discussão em Katowice tentam colocar a população como agente da mudança. Esta opção não surge por acaso. Percebeu-se que se as pessoas se envolverem comprometidamente na construção e implementação destes objetivos ambientais, as alterações climáticas têm muito mais hipóteses de serem superadas.

No Funchal temos tentado implementar formas de trabalho político que envolvam a população na tomada de decisões. Criámos formas de participação voluntária, mas gostaríamos de evoluir para modelos sistemáticos de participação no governo da Cidade. Esta maneira de trabalhar é um modo de começar a investir na democracia e na cidadania ativa.

Miguel Angel Santos Guerra, um pensador da educação e da democracia nas escolas, defendia em 2001 que a escola tem de ser um organismo que aprende, de forma a conseguir responder aos desafios que a evolução coloca à sociedade. Penso que os governos e a classe política desde a 2ª Guerra Mundial não souberam, ou não quiseram, aprender a investir numa cultura que promova a democracia, a cidadania e o envolvimento das pessoas nas tomadas de decisão. Parece-me que nem os governos locais, regionais ou nacionais souberam ser organismos aprendentes. Nunca investiram nas pessoas como agentes da mudança. Há pouco tempo ouvi Nelson Dias a dizer que hoje temos “muitos que votam pouco e poucos que decidem muito”. E pensei que talvez também seja por isso que tantos populistas têm conseguido levar milhares atrás deles.

Temos trabalhado para que o processo de afastamento das pessoas dos processos de democracia e participação se inverta. Acreditamos que o poder político não sabe tudo e só terá a ganhar com uma sociedade civil forte, que não dependa de subsídios e possua massa crítica.

Este é um dos desafios de uma cidade educadora. E como se pode perceber, é uma tarefa difícil e sempre em construção.