Natal: admirações e outras constatações sobre Comércio(s) e consumo(s)!

E eis-nos, de novo, na tal quadra – o Natal.

Admiração? Muita, pela quadra e pelo espírito! Admirado? Pouco, por aquilo que hoje representa! Constatações? Algumas. As que se seguem.

Nos dias de hoje, que são aqueles em que todos vivemos, sucede-se, ano após ano, o Natal. Difícil para muitos, para não dizer quase todos, será conseguir-se dissocia-lo do Comércio, do Consumo. Sem dúvida, duas marcas eternas, quiçá apenas uma! – Será o Comércio Natalício? Será o Natal Comercial? Permanecerá a dúvida! Talvez não.

Já foi mais dada aos comércios, depois rendida ao Comércio, hoje refém do Consumo, mais dada aos consumos. A pequena loja deu lugar ao grande espaço. O lojista passou a comerciante até chegar a empresário. O comprador deixou-se ofuscar pelo consumidor. A moeda esfumou-se na chama do cartão.

O crédito está tão ou mais exposto como tudo aquilo que está à venda. As características do bem ou do serviço ficam escondidas pelo dito crédito, pelas suas...facilidades, pela forma (não tanto pelo conteúdo) como são propagandeadas. A extensão da garantia assegura que se pague mais ou que mais se fique a dever. Antigamente ficar a dever não era assim tão bem visto como hoje aparenta ser. Faz-se crer que “ficar a dever” é sinal de inteligência! A sensação que fica, por vezes, é que a compra, a tal satisfação da necessidade, ficou em plano secundário. Parece afirmar-se paulatinamente uma espécie de desinteligência daqueles que consomem, pois os que, num passado, apenas compravam, discutiam, negociavam, faziam valer o seu papel ativo que assumiam na relação, no negócio. Hoje parece já não existir decisão de compra. Fica a ideia de que outros decidem (ou pretendem decidir!) por nós.

Estuda-se, sim, o comportamento do consumidor. Pois o intuito é moldá-lo, influenciá-lo, manipulá-lo!

Nunca se estudou o comportamento do comprador. Pois, nesse tempo, havia necessidades por satisfazer, por parte de uma procura que sempre encontrava na oferta a sua…satisfação!

Hoje compramos um crédito e essa transação traz consigo um bem, um artigo, um produto, quiçá, um serviço.

Por estas e por outras, por vezes, há nos governos ministério ou secretaria de estado do comércio, mas nunca houve dos...comércios.

Por estas e por outras, por vezes, há nos governos quem tutele o(s) consumo(s) e seus protagonistas - os consumidores.

Talvez, por estas e por outras, jamais alguém se lembrou de criar tutela para a compra e para os compradores!

Admirado com tais constatações? Seguro que não, mas decerto muito admiraríamos os que um dia pudessem parar para pensar. Não será este o tempo, pois a quadra é de...consumo, e espremido o pensamento do(s) poder(s) sobre o tema – Comércio(s) pouco sumo sairá! Será caso para...escrever - para o(s) comércio(s) importará muito mais ter políticas com sumo e não tanta euforia pelo consumo.