O orgulho de ter sido primeiro

Já se sente no ar a nova polémica de Machico contra o Funchal. Entre o Machico do orgulho ferido e da astuta manipulação verbal e o Funchal da aparente apatia, no que concerne às grandes motivações políticas desta população. Uma repetição de tantas outras situações anteriores que têm ajudado a marcar a história eleitoral deste município. Uns representados pela esquerda do poder local e outros pelo governo da Região. Neste momento ficam para trás as acusações da dívida herdada. Isso já está resolvido. A dívida já não é um problema, disse o presidente da edilidade no dia do concelho. Ficam também para trás as acusações de discriminação quanto a investimentos do GR no município. Isso não tem faltado nos últimos tempos, como também reconhece a câmara, embora timidamente. Agora o campo de batalha é outro e vem mesmo a calhar para quem sempre sobreviveu de expedientes de demagogia política. Agora o problema são as celebrações dos 600 anos da Descoberta, ou do achamento, como se diz agora, da ilha da Madeira. Facto que releva a importância histórica de Machico.

Quem conhece a idiossincrasia desta localidade percebe bem que deveria haver um especial cuidado político ao tratar esta matéria. O que parece não ter havido, para além da oportuna sensibilidade do Presidente do Governo em anunciar, atempadamente, a realização da sessão solene do dia da Região do próximo ano, na cidade onde primeiro chegaram os homens dos descobrimentos. Não vai ser suficiente para acalmar Machico. Até porque a celebração do dia da Região fora do Funchal tem sido um lugar-comum, tendo já acontecido também em Machico. E a manipulação da opinião pública já começou. A Câmara e o partido socialista estão a fazer o seu papel. Estão no seu direito. O de manipular a opinião pública a seu favor. Outras figuras do concelho quererão aproveitar o momento para dizer que também existem e que têm ideias e não só delírios. Por isso, o Governo e o PSD não podem perder o comboio, num ano tão importante em termos eleitorais. Não só por causa de eleições, mas também, e sobretudo, porque o PSD e o Governo devem pugnar todos os dias para desconstruir a falsa ideia de que não gostam de Machico. O que comprovadamente é uma falsidade construída numa narrativa antiga.

É verdade que aqueles que hoje repetem, como se de uma cassete se tratasse, que o Governo Regional e o PSD não gostam de Machico, são herdeiros políticos dos extremistas do PREC, acérrimos adversários da democracia que hoje temos em Portugal, construída com o apoio do PSD. São seguidores daqueles que, embora se digam paladinos da Liberdade, gostariam de ter visto na Madeira um regime tipo Venezuela de Chaves e Maduro. Isso é verdade. Mas também é verdade que o Governo Regional deveria tratar com maior sensibilidade política os assuntos que podem potenciar conflito emocional na sociedade machiquense e que, em último caso, sempre se traduziram em perdas eleitorais substanciais para o PSD. Para além disso, seria de todo merecido se, no âmbito das comemorações, Machico recebesse algumas das atividades regionais mais relevantes. Para além daquele que deverá ser o contributo das autoridades locais.