A escola iconográfica de Moscovo da Rus’ à Rússia

A escola de Moscovo desenvolveu-se durante a metade do século XVI, quando o príncipe de Moscovo obteve o título de Grão-Duque, tendo antes esta cidade pertencido a Kiev. O Metropolita de Kiev estabeleceu-se definitivamente em Moscovo, embora conservando o título antigo. Desde essa época o metropolita Pedro (1308-1326), favoreceu o projeto do príncipe de Moscovo, conseguindo afastar o perigo dos tátaros. Perante o povo cristão, o prestígio de santidade de São Sérgio de Radonez (1392), considerado santo, cujo túmulo e mosteiro por ele fundado, tornou-se meta de peregrinações. São Sérgio é considerado o reformador, enquanto São Teodoro foi o fundador. São Sérgio teve o mérito de renovar a vida ascética e eremítica nas florestas que rodeavam Moscovo na segunda metade do século XIV, fundou o seu mosteiro a 70 quilómetros da capital, mas a santidade da sua vida, espalhou-se por toda a parte. O santo adotou a tradição cenobítica de São Pacómio em Bizâncio que, São Teodoro já tinha adoptado no mosteiro de Studion no século IX, um dos santos que mais defendeu os ícones dos iconoclastas.

O facto de São Sérgio ter fundado um mosteiro numa floresta era uma novidade, visto ele, até então, se encontrar nas proximidades da mesma floresta. Este mosteiro foi dedicado à Santíssima Trindade e tornou-se o centro espiritual da “tebaida do norte da Rússia, “devido à tradição deste nome ser usado pelos cenobitas do Egito. São Sérgio, fundou ainda numerosos mosteiros no norte de Moscovo, disseminados nas regiões setentrionais.

Devido à santidade de São Sérgio, o metropolita de Moscovo Alésio, grande figura da igreja, propôs a São Sérgio para tomar o seu lugar na cidade e se encontrar com Dimitrij príncipe de Moscovo. Dimitry falou com São Sérgio que o abençoou tendo este conseguido a vitória contra os tátaros. Esta vitória deu um impulso extraordinário à cidade que atraiu pintores, escritores e arquitetos que realizaram grandes obras. Foi chamado a vir trabalhar na cidade, o mais prestigioso pintor de ícones desse tempo, Teófano, o Grego que, antes, trabalhara em Constantinopla e Novgorod, onde em 1378 tinha pintado a igreja do Salvador Transfigurado, e pintara também um ícone semelhante ao de Nossa Senhora de Vladimir, mas atenuando a rigidez severa própria dos bizantinos.

Teófano, era iconógrafo, pensador e filósofo, após a vitória contra os tátaros sentiu uma especial proteção da Mãe de Deus, até se identificar com o Menino que a imagem tinha ao colo. Os seus frescos optam por uma temática sóbria e clássica, situa-se fora das convenções tradicionais, o seu desenho revela-se livre, audaz, flexível, não trai os cânones, mas transcende-os e supera-os. O mundo de Teófano acontece na “treva mais luminosa do silêncio” no dizer do Pseudo Areopagita. De Novgorod, Teófano passa a Moscovo onde realiza o ícone da Deesis, na catedral da Anunciação no Kremlin.

Entre os jovens artistas que trabalhavam sob a guia de Teófano, no Kremlin, estava André Rublev. Quando ele nascera, por volta de 1360, a Rússia ainda estava esmagada pelo poder dos tátaros. Rublev é conhecido pelo nome de “o pintor dos anjos” por causa da célebre Trindade que teria participado com Teófano na catedral da Anunciação em Moscovo. Rublev era um jovem doce e humilde, “cheio de alegria e luminosidade, no seu mundo habitava a felicidade eterna”. Em Zagorst, deixa a sua obra prima a “ilustre Trindade.” A semelhança dos tês anjos encarna a semelhança das três Pessoas Divinas.

Rublev será o continuador de Teófano ao qual se deve o influxo na grande arte bizantina da época dos Paleólogos, e na técnica conhecida na escola moscovita

da cor, da grande escola de Novgorod. Rublev trabalhou na igreja da Dormição com o seu amigo, o monge Daniel o Grego, mais idoso do que ele.

A fama de Rublev está relacionada com o mosteiro da Trindade, fundado por São Sérgio, quando Rublev ali trabalhava, São Sérgio já tinha morrido. O mosteiro foi renovado após a devastação dos tátaros em 1408. O edifício renovou-se com grandes construções. Em 1411 foi pintada grande parte da iconóstase por Rublev com a ajuda dos alunos. Ele interpretou de uma forma inovadora a pintara russa. A iconóstase nasceu do costume de pendurar ícones da arquitrave com colunas que dividiam o santuário da nave da igreja.

A parte do território da Rus’ do tempo de Vladimir em Kiev, com a união de todas as partes, torna-se a grande Rússia

O estado moscovita cresce e estende o seu poder, Ivan III põe fim à ocupação dos tátaros e estende o seu poder a Novgorod, o monge Filoteo escreve-lhe “Ó czar bendito, guarda e conserva isto: todos os reinos cristãos se fundiram no teu reino único, duas Romas caíram, a terceira existe e não virá uma quarta.