Os futuros alunos do Ensino Superior

Quando projetamos o futuro, a criação de momentos de reflexão, de debate e de estudo tornam-se extremamente importantes, pois apenas conhecendo a realidade, podemos intervir de forma consciente e adequada.

Um desses exemplos é o Encontro Nacional de Direções Associativas, que se realiza trimestralmente em vários pontos do país. Estes encontros revelam-se preponderantes para estabelecermos, ao nível estudantil, uma estratégia para o Ensino Superior, de onde resultam vários documentos para os problemas identificados como os mais urgentes, tais como o alojamento, os transportes, a insularidade e o financiamento.

Os alunos são a razão de existir de uma Instituição de Ensino Superior e, na mesma ótica, é importante entender como podemos aumentar o número de estudantes que frequentam este nível de ensino. Embora já não se consiga atingir os 40% da população entre os 30 e 34 anos, com formação superior até 2020 como meta estabelecida pela União Europeia— prevê-se que se atinja apenas 34% — o objetivo deverá manter-se no aumento do número de pessoas diplomadas e, consequentemente, na ampliação das suas probabilidades de sucesso na inserção no mundo do trabalho. Porém, convém salientar que este objetivo implica, também, compreender o ensino pré-superior, ou seja, os ensinos secundário e básico, como um processo sequencial que, institucionalmente, se quer de sucesso.

A Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) publicou, no mês passado, os resultados da 6.ª edição do inquérito “Jovens nos Pós-Secundário”, que pretende retratar os percursos dos jovens após a conclusão do ensino secundário, (infelizmente, apenas) em Portugal Continental. Apenas 32,6% dos alunos que ingressam nos cursos profissionais prosseguem os seus estudos, enquanto que nos cursos científico-humanísticos a percentagem aumenta para os 91,8%. Não somos capazes de atrair para o ensino superior todos os estudantes que terminam o ensino secundário, mas existe muito espaço para melhorar esses números.

A Académica da Madeira, no sentido de compreender as representações que os estudantes têm do ensino superior quando terminam o secundário e quando ingressam no superior, tem tentado acompanhar os seus percursos, em especial na Universidade da Madeira. Demos início a esta tarefa, que levará anos, mas que é necessário fazer, em 2017, desde o momento em que cerca de 500 novos alunos ingressaram na nossa Academia. Objetivamos acompanhá-los desde a sua entrada até à sua saída, com ou sem diploma, para entender, entre outros, os fenómenos da desistência e do abandono, problemas que colocam desafios gigantescos às Instituições de Ensino Superior. Algumas delas, tratam estes fenómenos com seriedade e procuram entendê-los. Outras nem tanto, e esse papel acaba por ser assumido pelas estruturas estudantis, por investigadores e por diversas entidades externas.

Entender o Ensino Superior obriga a uma compreensão do percurso anterior dos jovens, dos seus sucessos e dos seus fracassos, da forma como vivenciam e experimentam o mundo, daquilo que aspiram e da forma como definem as suas estratégias de ação. O sistema escolar - os docentes, as metas, os sistemas de avaliação - também carece de uma análise profunda. Hoje trabalha-se a média e moldam-se comportamentos de 0 a 20 valores. Hoje, descura-se tudo aquilo que a educação é capaz de fazer: dando, aos jovens, as ferramentas próprias e um olhar crítico para enfrentar e lidar com a realidade seja ela qual for: mudar o mundo.