Às vezes

Às vezes as coisas acontecem por acaso...

Choramos e lamentamos, berramos e gritamos e durante um pequeno período de tempo parece que o mundo vai desabar. Estamos encostados num abismo e parece que não há saída, até que temos de dar o salto de fé e esperar aterrar do outro lado, ou simplesmente que o abismo não seja grande, às vezes...

Às vezes rimos em euforia e esperançosos que o amanhã seja melhor

Às vezes desacreditamos a fé e a esperança

Às vezes almejamos algo melhor

Às vezes resignamo-nos à nossa sorte

​Às vezes corremos para o futuro

Às vezes ficamos presos no passado

Às vezes convertemo-nos

Às vezes caímos em tentação

Às vezes somos salvos

Às vezes salvamos

Às vezes fugimos das responsabilidades

Às vezes damos de caras com elas

Às vezes sabemos

Às vezes crescemos

Às vezes ajoelhamo-nos

Às vezes revoltamo-nos

Às vezes falamos

Às vezes escrevemos

Às vezes lemos

Às vezes ouvimos

Às vezes gritamos

Às vezes falamos

Às vezes caímos

Às vezes levantamos

Às vezes procuramos

Às vezes encontramos

Às vezes desistimos

Às vezes prosseguimos

Às vezes morremos

Às vezes vivemos

Às vezes estamos no limbo

E às vezes saltamos.

Nota: escrito sobre a influência de Sometimes - Pearl Jam, faixa de abertura de No Code que conta, para além da já mencionada Sometimes, clássicos como: ‘Hail, Hail’, ‘Smile’, ‘Red Mosquito’, ‘Off he Goes’, entre outros. É também o álbum em que a banda de Seattle rompe com o passado e tenta livrar-se, de uma vez por todos, do rótulo ‘Grunge’, podemos debater que de todas que saíram do noroeste pacífico americano é a única que talvez o rótulo tenha sido mal colado.

No Code é fabricado no meio da luta da banda com a Ticketmaster e os seus preços abusivos e acaba por ficar marcado, principalmente na fraca divulgação, por isso.

Recebido com desconfiança pela crítica e pelo público pela sua veia mais experimental, No Code acaba por ser um tesouro mal escondido na discografia de Pearl Jam.