O garrote colonial

Sempre disse que o meu partido é a Madeira.

O PSD foi e deve ser o instrumento para se concretizar o Bem Comum do Povo Madeirense.

Este conceito de PSD-instrumento ao serviço dos Madeirenses e Portossantenses, acarretou-me algumas adversidades dentro do Partido a que tenho a honra de pertencer. Pois em certas “cabeças” menos preparadas ou com excesso de ambições para as quais não oferecem capacidades, é desconhecido o sentido de “instrumento” para Serviço Público.

Esta é a minha postura que tenho TODO o Direito democrático de viver, como os que não concordam, também nisso têm todo o Direito. Há quem nasceu com genes colonialistas e há quem nasceu com genes de escravo. Sobretudo, nestes dois grupos, ignora-se a Genética ter base científica rigorosa.

E isto vale para civis e para fardas, para burgueses e para proletariado, para pseudo-intelectuais e para analfabetos.

Daí que, como autonomista, nos últimos tempos esteja preocupado com o garrote colonialista mais apertado permanentemente pelo sr. António Costa e o “seu” aparelho de Estado. A fazer já lembrar o muito de grave que aturei a José Sócrates - de que António Costa foi o n.º2 na fossada daqueles Governos, lembram-se?... - e o que muito de grave aturei ao inqualificável Passos Coelho e seus “meninos”.

Mas o garrote está aí cada vez pior.

Apesar de o Povo Madeirense sonegado durante seis séculos, o Estado português impõe-nos o pagamento de uma dívida feita para recuperar do atraso que nos impôs. E ainda faz negócio com os juros!

Mas perdoou dívida às ex-colónias, ocultando dos Portugueses o montante que doou a esses Estados estrangeiros ao longo de todos estes anos, apesar de frequentemente desafiado para dizer a verdade.

O Estado português tem um regime constitucional que, nalguns aspectos, não pode ser caracterizado democrático. Mas castra violentamente a Autonomia da portuguesíssima Madeira, negando sistematicamente as pretensões legítimas do Parlamento que é expressão democrática do Povo Madeirense.

A jurisprudência do Tribunal Constitucional, no tocante ao nosso arquipélago, é um escândalo!

O Estado português viola constitucionalmente o Princípio da Continuidade Territorial!

O Estado português viola constitucionalmente o Princípio da Subsidiariedade!

A situação nos transportes exteriores às nossas ilhas é uma vergonha!

E faz gala de, agora, nos querer impôr os seus regedores.

Porém, graças a Deus que neste território insular e com algumas excepções pessoais cabotinas, evitaram-se tensões graves, dado o entendimento que foi sendo conseguido entre os titulares dos cargos regionais e os titulares de cargos sob tutela da República Portuguesa.

Atribuindo o Estatuto Político-Administrativo à Região Autónoma o domínio público, fez-se o Desenvolvimento conforme a estratégia definida pelos meus Governos, ficando os policiamentos para quem de Direito e apesar das competências legais que, mesmo nestes casos, estão atribuídas às autoridades regionais, nomeadamente quanto à PSP e à GNR. Bem como é constitucionalmente obrigatória e muitas vezes violada a audição da Região para nomeações pela República.

Por exemplo, o desenvolvimento também no litoral é matéria civilista em qualquer Democracia decente. Às Forças de Segurança cabe a defesa e o policiamento.

E deste entendimento universalmente democrático e civilizado, não se pode sair. Doa a quem doer - doeu ao Robles quando inquilino na capitania, pai do bloquista Robles do imobiliário e aquele também já candidato por essa gente - pois em matéria de Autonomia NÃO PODE HAVER CEDÊNCIAS, já basta o colonialismo ainda em vigor.

​Só que, ultimamente, vem acontecendo uma sequência de notícias nas áreas mais variadas, que nos dão a impressão de existir quem queira estragar a paz cívica vigente, só para mostrar que tem as “chaves da retrete”.

Não pode ser!

Embora eu tema que o Desenvolvimento Integral que a Autonomia trouxe ao povo Madeirense, nos afrouxe burguêsmente nas lutas pela afirmação e pela defesa dos nossos Direitos em parte ainda ofendidos ou atropelados.

Neste “Ano da Graça” de 2018, seria surrealista que, a exemplo dos anos setenta na Madeira, se tivesse de voltar ao apelo à sentinela, como nos livros de Jean-Lartéguy.

​Essa não pega!

Post-Scriptum - É falso o escrito no “J.M.” que atribui passividade aos políticos autonomistas perante o colonialismo do Estado Português.

Durante quarenta anos (1974-2015) viveu-se uma luta constante contra os abusos de Lisboa e contra as distorções restritivas da Constituição pelos órgãos da República Portuguesa.

Durante quarenta anos lutou-se internamente contra os partidos colaboracionistas com Lisboa, bem como contra os interesses económico-financeiros locais e comunicação social aliados do colonialismo.

Ao longo de quarenta anos o Parlamento madeirense apresentou sucessivas propostas de alterações constitucionais, todas sabotadas ou ignoradas pelos órgãos do Estado português, covardemente apoiados em terem a força do seu lado.

No correr dos últimos anos, o emburguesamento da sociedade madeirense, bem como o relativismo e o facilitismo de um mau sistema educativo, e ainda a sucessão geracional retiraram necessárias capacidades de luta à comunidade madeirense. Eu bem fui avisando para as consequências de o PSD/Madeira ter sido objecto de uma debilitação interna!...

O paleio é mais fácil do que “dar o corpo ao manifesto” ou arriscar “ter a cabeça a prémio”...

Isto só vai com um referendo pressionado internacionalmente.